pelas esquinas


 

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Adestram-se focas

 

No último domingo (5/8), foi realizada a prova de conhecimentos gerais e redação, primeira etapa da seleção para o Curso de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de São Paulo, popular Estadão. Mais de 2.300 jornalistas recém-formados disputavam uma das 60 vagas para a segunda fase, uma entrevista individual que definirá os 30 escolhidos para o curso, entre os dias 3/9 e 7/12 deste ano. O treinamento não garante colocação no jornal, mas é uma boa oportunidade de colocar em prática os conhecimentos aprendidos na faculdade, além de uma chance para jornalistas inexperientes terem uma vivência em redação.

 

“Adestram-se focas” é o slogan do curso. Fala por si só, ao fazer referência a como os novos jornalistas são chamados pelos mais experientes –  focas. A prova, no estilo das palavras cruzadas que os jornais costumam publicar, traz 50 questões, algumas cuja relevância para um jornalista são altamente discutíveis. O endereço da Casa Branca em Washington, o nome da filha adotiva de Woody Allen com a qual ele acabou casando, entre outras, são só algumas das pérolas. Nada sobre as recentes crises de corrupção em Brasília ou, ainda, tratando do caos aéreo. Tentando a sorte – já que para esse nível de questionamentos é difícil saber como estudar – estão os candidatos a foca para o adestramento.

 

O leitor pode perguntar o que um jornalista recém-formado, mas que vive criticando a grande imprensa, estava fazendo numa prova dessas para ingressar num dos bastiões do conservadorismo tupiniquim? Respondo: tentando uma oportunidade de fazer um pouco de jornalismo, ao menos. É inegável que, mesmo não sendo exatamente de alta qualidade em comparação a alguns meios de comunicação de outros países, os jornais do centro do país brigam menos com a notícia. Nos periódicos do Rio Grande, por exemplo, a única verdade publicada em alguns dias é a data. A reflexão é de Luis Fernando Veríssimo, um intelectual de esquerda, ele mesmo colunista de jornais de direita, como ZH e O Globo. Com esforço e ousadia, ainda é possível fazer jornalismo mesmo na dita grande imprensa. Esse o desafio que se apresenta a nós, jornalistas que se julgam ainda merecedores da alcunha.      

 



Escrito por o transeunte às 00h09
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O investimento dos laboratórios farmacêuticos

 

Bonito, jovem, com curso superior em fase inicial. Vinícius tem o perfil do representante de vendas dos laboratórios farmacêuticos. Como muitos outros homens e mulheres no mercado de trabalho, foi recrutado para trabalhar no EMS em Porto Alegre, aos 18 anos. Recebe agora cerca de R$ 850,00, bem mais dos que os R$ 500,00 da bolsa de estágio em Administração de Empresas de alguns meses atrás, tempo em que trabalhava no Banrisul. O garoto é só uma das pontas da engrenagem de padrões éticos discutíveis que move a indústria farmacêutica.

 

Representantes de laboratórios como ele são responsáveis por fazer insistentes abordagens aos médicos, principalmente àqueles que atendem pacientes com maior poder aquisitivo. O objetivo é basicamente o mesmo: apresentar seus produtos aos profissionais da saúde e convencê-los a prescrever os remédios àqueles que necessitem tratamento.

 

A procura é intensa e atrapalha a rotina do atendimento aos pacientes. Clara (o nome é fictício), funcionária de um consultório médico do bairro Menino Deus, foi obrigada a deixar fichas na portaria do prédio onde trabalha. Diariamente, só os primeiros quatro representantes têm permissão para falar com seu chefe, requisitado cardiologista. Ressalta que, certa vez, a competição chegou ao ponto de levar nove deles a se apresentarem ao mesmo tempo. Apesar do pouco tempo disponível, “o doutor se dispôs a atender a todos”, informa, incomodada com a quebra das normas que acaba lhe dando mais trabalho.  

 

As estratégias para obter sucesso na empreitada são muitas. Clara conta que seu chefe não precisa pagar para participar de congressos da categoria. Recentemente, o profissional teve todas as suas despesas de hospedagem para um encontro de cardiologia em Gramado custeadas por um dos laboratórios parceiros. As diárias da mulher e dos dois filhos do casal estavam incluídas no pacote. “O hotel tinha tudo, até ofurô com hidromassagem”, afirma a funcionária, referindo-se à banheira oferecida pelo requintado Serrano. No local, costumam se hospedar atores e diretores globais durante o tradicional festival de cinema da cidade. Não é raro para o médico, receber ofertas de jantares também. “Ossos” do ofício.

 

Nem sempre a propaganda e as facilidades colam. O cardiologista só receita medicamentos dos laboratórios em que confia. Por vezes, chega a listá-los para os pacientes. Alguns não contam com o aval do médico. Baixa qualidade. Segundo Clara, os representantes desses  laboratórios freqüentam o consultório e deixam amostras grátis dos seus produtos pela mais singela obrigação. O doutor não os indica e eles sabem. Possuem pesquisas feitas diretamente com os profissionais, pelas quais também oferecem “ajudas de custo”. Muitas de valor ainda mais alto do que o cobrado pelas consultas.

 

segue

 

 



Escrito por o transeunte às 15h54
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Com a receita na mão, a vítima

 

Munido da indicação no papel, o paciente se dirige à farmácia e compra o produto receitado. Desavisado, nem sempre leva o mais barato ou de melhor qualidade. Se o balconista tiver algum acordo com um laboratório, então, pode esquecer. Esta é outra estratégia dos representantes: atuar nas pontas, direto com os vendedores, nas drogarias. Comissões e amostras grátis, entre outros acordos de “cavalheiros”.  

 

O consumidor, como sempre, é o último a saber, se chegar a ter esse privilégio. Dependendo da doença e da quantidade de medicamentos receitada, os prejuízos tendem a ser bastante expressivos. Os idosos costumam sofrer mais, por precisarem de vários remédios, muitos destes com altos preços.

 

Mas pacientes de todos os tipos, principalmente os pouco acostumados a freqüentar farmácias, podem acabar saindo no prejuízo na hora de tratar alguma enfermidade. No caso de gripes mais fortes, acompanhadas de tosse e inflamação da garganta, um dos medicamentos mais utilizados é o antibiótico Azitromicina. Na mesma farmácia é possível perceber diferenças. Na Panvel, a embalagem com três comprimidos de 500 mg do laboratório EMS chegava a custar R$ 41,07, enquanto preço do mesmo produto, da Sandoz do Brasil, era de R$ 29,30, no dia 23/7. Se o consumidor resolvesse pesquisar mais atentamente, perceberia que em outra drogaria o custo era ainda menor. Na Johnson, farmácia da zona sul de Porto Alegre, o mesmo medicamento sai por R$ 16,40.

 

Muito mais que simples detalhes. Os preços e as maracutaias para fazerem o paciente comprar os produtos estão nos bastidores, bem longe dos olhos do consumidor.

 

 



Escrito por o transeunte às 15h48
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A discussão das cotas nas universidades

 

Há cerca de duas semanas, ao invadir a Reitoria da UFRGS, os estudantes universitários propuseram que fosse adotado o sistema de cotas raciais na Universidade. De lá pra cá, o debate vem ficando cada vez mais acalorado. Até o final do mês, tanto a Federal do RS quanto à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) devem decidir se implantam a reserva de vagas já no próximo vestibular.

 

Se aprovado, o sistema garantirá que negros e estudantes vindos de escolas públicas tenham espaço garantido, na UFRGS, enquanto estudantes com necessidades especiais e índios poderão se beneficiar da reserva, na UFSM.

 



Escrito por o transeunte às 13h17
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Jornais gratuitos: essa moda pega?

Mais um jornal gratuito chega à cidade de São Paulo. O diário Publimetro começou a circular na última terça-feira (8/5), com uma tiragem de 150 mil exemplares, em 300 pontos de grande circulação da Capital. 

 

O novo periódico segue a receita adotada há dez meses pelo também diário Destak, que já circula com 200 mil exemplares. Ambos disputam leitores com o Metrô News, o mais antigo no gênero, que é entregue aos usuários do Metrô em 48 estações, há 32 anos.

 

O grupo sueco MTG - Modern Times Group, empresa de mídia com presença em mais de 100 cidades de 20 países da Europa, Ásia e Américas, formou uma sociedade com o Grupo Bandeirantes de Comunicação para incluir São Paulo em sua rede de edição de jornais gratuitos identificados com a marca Metro. No Brasil, assim como já acontece no México e no Chile, o jornal se chama Publimetro.

 

“É um diário para ser lido em 20 minutos. Eu li a edição de hoje em dez”, diz Ricardo Lenz, diretor-presidente da empresa resultante da sociedade entre os brasileiros, que têm 70% de participação, e os suecos, com 30%. A lei que regula os meios de comunicação no País limita a participação de grupos estrangeiros a 30% do capital da empresa. “Nosso objetivo é pegar o leitor no trajeto para o trabalho ou escola. Um jovem que não tem tempo a perder, mas valoriza informações que pode ler com rapidez”, diz Lenz.

A publicidade, logicamente, ganha importância ainda maior na sobrevivência do meio gratuito. E a procura vem crescendo: “A receita publicitária tem aumentado em torno de 15% nos últimos três anos”, diz o diretor comercial do Metrô News, Marcelo Gomes da Silva. “A chegada da concorrência só demonstra a valorização do conceito do tablóide gratuito”, diz. O Metrô News distribui atualmente 120 mil exemplares, de segunda a sexta-feira.

 



Escrito por o transeunte às 15h53
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Chance de implantação em outras praças

 

Lenz, que é engenheiro de formação, afirma que, dependendo da aceitação do público e do retorno de publicidade, a experiência paulistana poderá se estender a outras praças. O Destak também pretende seguir esse caminho. Assim como o Publimetro, o Destak também é controlado por empresa brasileira em parceria com um grupo estrangeiro. O empresário naturalizado brasileiro André Jordan tem 70% de participação e investidores portugueses têm o restante.

 

“Recebemos mais de mil e-mails em nosso site todos os dias, o que é um bom indicador”, diz Claudio Zorzett, diretor comercial do Destak. “Pelas projeções da Marplan, atingimos um milhão de leitores, entre 18 e 35 anos, com distribuição em todas as principais universidades, estacionamentos, academias de ginástica e algumas lojas de uma rede de café.”

 

Antônio Athayde, diretor-executivo da Associação nacional dos Jornais (ANJ), vê a tendência com cautela. “Ainda é cedo para avaliar o futuro dos jornais gratuitos no Brasil”.

 



Escrito por o transeunte às 15h51
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Prejuízos não assutam. Será?

 

Embora as previsões de crescimento, o Grupo Metro Internacional amargou um mau resultado no primeiro trimestre de 2007. O balanço de janeiro a março, divulgado semana passada, aponta para um prejuízo de US$ 14,3 milhões – o que provocou queda de 16,3% no valor de suas ações na bolsa de Estocolmo no dia do comunicado. Embora argumente que o começo de ano sempre seja fraco, o presidente do grupo, Pelle Tornberg, lamenta particularmente o mau resultado “em mercados chave como Suécia, Espanha, França e Estados Unidos”.

 

Lixo

 

Outra preocupação promete apimentar a disputa entre os jornais gratuitos: o excesso de lixo. Em Londres, a prefeitura local, através do Conselho de Westminster (no coração da cidade), está ameaçando cobrar uma “ecotaxa” dos periódicos vespertinos The London Paper e London Lite. A alegação é de que, desde o lançamento dos títulos, no segundo semestre de 2006, cerca de 100 toneladas extras de lixo se espalharam pela cidade. Juntos, os dois jornais distribuem um milhão de exemplares por dia. O custo para a compra e instalação de lixeiras e caminhões de lixo para tal volume de papel, 740 mil euros, deve ser cobrado junto às companhias jornalísticas – que se dispõe a pagar apenas a metade.

 

*com informações do jornal O Estado de São Paulo e da revista eletrônica Meio e Mensagem

 



Escrito por o transeunte às 15h43
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Se a esperança é a última que morre...

 

Manhã de um dia letivo em uma escola particular da zona sul de Porto Alegre. Os professores reúnem-se numa sala para tomar o cafezinho do recreio. Clima amigável, até que, sabe-se lá por que motivo, o assunto da conversa passa a ser a Fase.

 

Não demora muito para uma jovem professora fazer seu relato. Ela havia trabalhado na Fase. Mostrava-se indignada. Não com a falta de verbas do governo ou com o tratamento dado aos meninos. Sua indignação era com o fato de pagarmos impostos para manter “um lugar daqueles”, como definiu a fundação. “Eu trabalhei lá e eu sei. Aqueles meninos não têm mais volta. Não adianta querer investir em educação lá dentro.”

 

Suas palavras até não seriam tão estarrecedoras, caso o que ela estivesse defendendo fosse investimento em políticas públicas sociais (educação, saúde, moradia, trabalho etc) para prevenir que os menores acabassem em locais com a Fase, principalmente para os bolsões de miséria de onde vem a maioria dos internos. Mas não. Ela defendia que os menores fossem direto para o presídio. Silêncio geral na sala. 

 

Penso cá com os meus botões: uma jovem professora. Alguém que deveria acordar todo dia movida pelo estímulo de ensinar, fomentar o aprendizado de seus alunos encarava uma questão crucial para a infância e a adolescência de nosso país dessa maneira. Não tinha mais esperança. E se a esperança é a última que morre, o que esperar desta professora como educadora? O que esperar de tantos outros educadores desiludidos?   

 

 



Escrito por o transeunte às 18h55
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Há saída para a violência na adolescência

 

Ônibus rumo ao litoral norte gaúcho. Destino: Imbé. Poderia ser o típico feriadão de Páscoa classe média, mas estava sentado ao lado de dois adolescentes desconhecidos na última fileira de assentos do veículo. O período de uma hora e meia me colocaria a par de umas tantas histórias das vidas daqueles dois. Eram meninos – um com 17, outro com 15 anos – moradores do bairro Humaitá. Vestiam-se de maneira parecida. Bonés, camisetas dois números acima de seus tamanhos, bermudões e tênis modernos. Nike da cabeça aos pés. Só mudavam as cores. O mais velho trajado todo de preto, enquanto o menor usava chapéu branco.

Numa viagem normal até o litoral, eu provavelmente dormiria do início ao fim, mas era impossível pegar no sono. Ao mesmo tempo em que assustavam, os relatos dos meus parceiros de viagem também me aguçavam a curiosidade e permanecia ouvindo, impávido, eles conversando como se eu ali não estivesse.

O mais velho contava de suas brigas. Pelo tempo que essas histórias, particularmente, tomavam, pude entender que os embates eram bastante freqüentes. Havia tomado uma facada numa delas, segundo disse. Bateu muito, mas também tomou muitos safanões. Continuava vivo e forte. E pronto para mais, ao que parecia.

O mais novo o interrompeu. Começou então a falar de um amigo seu. “Tomou dois tiros numa briga. Ta andando de cadeira de rodas. Foda.”. E assim iam se somando os assuntos que invariavelmente eram sobre violência. Das ruas. A realidade dos guris. Não pareciam ter medo.

O revólver era um artigo de cobiça. Falaram várias vezes em ter um. “Andar de trezoitão, V3 (modelo de celular da Motorola que custa cerca de R$ 700,00 ), ‘cas’ mina”, o ideal do cara de sucesso na visão de um deles. Contudo, estava bem longe de chegar perto dessa situação. Não possuía arma, seu celular era simples e não viajava com acompanhante do sexo oposto. Poderia roubar, ao menos para conseguir dois dos três objetos do seu desejo, mas isso também descartava. “Minha mãe me mata. Imagina parar na Febem (atual Fase)?! Nem fala nisso.”

Meninos de caráter. Rebeldes como qualquer adolescente, mas educados. Ofereceram o lugar a um senhor de idade que iria viajar em pé, apesar de não ser necessário, pois sobrara um banco. Depois, fecharam a janela para atender o pedido de uma passageira gripada. Por fim, conversaram pacientemente com uma menina de quatro anos que veio brincar ao seu redor e fez muitas perguntas, como de costume para a idade.

Ainda surpreende que seja necessário muito pouco para proteger essa gurizada e manter o crime longe. Educação é fundamental. Falta investimento, vontade política e mãos à obra da sociedade como um todo. E parar de ver quem vive envolto em violência como inimigo a ser batido, ou pior, preso, morto. Há saída. Feriado ganho para o transeunte. 

 



Escrito por o transeunte às 19h09
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Parcerias com a Fase estão encalhadas

 

A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) não está mais conseguindo manter parcerias com instituições interessadas em proporcionar diversos tipos de projetos aos jovens internados. Por falta de repasses do governo do Estado, não há formas de custear o deslocamento dos meninos até os locais onde seriam mantidas as atividades. Os programas eram formas que a Fase encontrava para incentivar medidas socioeducativas a que não tinha condições de implantar sozinha também por falta de recursos com pessoal e equipamento. 

 

A professora da Faculdade de Comunicação (Fabico) da Ufrgs, Ilza Girardi, já estava acostumada a coordenar oficinas de rádio, vídeo, fotografia e internet oferecidas aos internos da Fase e ministradas por seus alunos do último semestre do curso de Jornalismo. No início deste ano, combinou a continuação do projeto a fundação. No entanto, a política de contenção de despesas do governo estadual vem impossibilitando o início do projeto. Cerca de 40 menores, já inscritos para as oficinas, estão sendo prejudicados pela demora na resolução do problema.


A situação lá está difícil, porque com a política da governadora, não há nem ficha para os guris pagarem passagem para irem à Fabico e nem condução, porque os carros estão estragados. A FASE não tem dinheiro nem para pagar as passagens dos pais para irem visitar os filhos. Além de não mais pagar horas-extras para os monitores, etc, etc.”, afirma a professora.

 

Nesta quinta-feira, Ilza Girardi participa de uma reunião com a presidente da FASE, Liliane Saraiva, para ver como contornar as dificuldades. Existe a possibilidade das oficinas de rádio, ao menos, serem ministradas na unidade da Fase na Vila Cruzeiro. Existe uma rádio montada cujos equipamentos se desconhece o estado de conservação ou a qualidade. Contudo, a atividade perde um pouco dos seus resultados, já que o ideal seria integrá-los ao ambiente universitário, conclui a professora.

 



Escrito por o transeunte às 23h09
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As mazelas da Fase

Fundação de Atendimento Sócio-Educativo. O nome leva a crer que essa seria uma instituição baseada no velho Estado de bem-estar social. No entanto, a situação para quem entra ali pela primeira vez deve levar exatamente ao inverso. Os jovens em tratamento para ressocialização ficam trancafiados em andares sujos e, por que não dizer, insalubres. Do sol que brilha intensamente lá fora passam apenas alguns poucos raios pelas janelas gradeadas e pequenas. Há portas cadeadas e grades por todos os lados, inclusive nos seus quartos e nas salas de aula. Na pequena sala de revista que antecede o lugar onde os apenados permanecem, uma lista do que as visitas podem levar: dois pacotes de bolacha doce, dois de bolacha salgada e 10 maços de cigarro. 

O transeunte está visitando a Casa Padre Cacique com alguns colegas de faculdade, levados pela necessidade de realizar um trabalho conjunto com a gurizada. Um velho prédio cuja estrutura padece de melhores cuidados. Infiltrações, vestígios de uma pintura há muito esquecida, portas enferrujadas. O local é destinado a menores que cometeram crimes leves, tais quais roubar uma carteira.  

Embora as dificuldades, os que trabalham nesse órgão montado em antigos prédios na avenida Padre Cacique, em Porto Alegre, buscam desempenhar seus papéis, apesar das condições dadas para isso serem mínimas. Artemita, monitora há 38 anos, diz que busca sempre ensinar a ler cada jovem analfabeto que entre na Fundação. Tenta fazer o mesmo com as mães dos rapazes que, em bom número, também sofrem com essa dificuldade.  

No Olimpo, distante dali, autoridades como boa parte de nossos congressistas, no entanto, parecem ter perdido a fé nessas instituições. Transitam no Congresso Nacional várias leis que visam endurecer as penas e o tratamento aos menores delinqüentes, no mínimo 90% deles negligenciados de alguma maneira pelos pais ou pelo Estado, segundo afirmação do juiz de direito João Batista Saraiva, consultor da ONU para o tema e titular do juizado regional da infância e juventude de Santo Ângelo.

A mídia em geral corrobora com a opinião de parlamentares como o senador Antônio Carlos Magalhães. Para ele, essas crianças e adolescentes infratores devem ir mais cedo para a cadeia, aos 16 anos. Globo e afins têm noticiado a violência de forma poucas vezes vista até aqui. Colocar na televisão, no rádio ou nos jornais o caso de algum jovem que enveredou pela rota do crime está virando moda, gerando medo e reações de indignação da sociedade menos avisada que normalmente clama por justiça. E justiça para estes últimos citados é mesmo colocar jovens infratores na cadeia comum por anos a fio, convivendo ainda mais diretamente do que o fazem em seus lares com criminosos violentos e sem chance de recuperação, dada as condições selvagens que um presídio oferece a seus “hóspedes”.

Condições ruins que, como podemos ver, a Fase também apresenta. Descaso, desinteresse, negligência do Estado, como disse Saraiva? Segundo o diretor da Casa Padre Cacique, dentro da Fundação, sem dúvida. Ele ressalta que o governo atual cortou pela metade os repasses fazendo um trabalho que já era difícil ficar praticamente impossível. Sorte deles que ainda existem instituições interessadas em desenvolver parcerias.

Enquanto isso, não muito longe dali, a polícia aborda motoristas. Mais uma blitze. Mais detenções para o já entupido sistema prisional e para as instituições de atendimento sócio-educativo. Esse círculo vicioso, como já previa o tão citado Wacquant, se auto-alimenta e violência gera mais violência. A conta quem paga é a sociedade, que vê um sem-número de menores enveredando pelo rumo do crime perpetuando o ciclo. A maior vítima, o sociólogo francês não tem receio em afirmar, é a juventude.      



Escrito por giu carpes às 10h52
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Descaso com o transporte coletivo atola o crescimento do turismo

 

A utilização do transporte público é uma alternativa racional para os turistas nas cidades mais procuradas do mundo. Nova York, Tóquio, Londres, Paris, Sydney, em todas é possível visitar pontos turísticos com alguma facilidade sem precisar recorrer a um automóvel. Normalmente, a opção pelo trem ou ônibus – ou ainda o barco – é até mais recomendada, haja vista o trânsito intenso e por vezes engarrafado nesses locais.

 

Porém, no Brasil, essa lógica não costuma ser seguida. A meca brasileira do turismo, a cidade do Rio de Janeiro, possui um sistema de transporte sofrível. Na iminência de um evento de grande repercussão no número de visitantes, como será o Pan-Americano de 2007, é quase certo que o setor passará por dificuldades. Chegar aos locais de competição exigirá paciência e obstinação de atletas, voluntários e público. Vemos que essa preocupação os organizadores do evento não têm, conforme matéria da revista Carta Capital da semana passada (http://www.cartacapital.com.br/edicoes/2007/02/432/ouro-perdido). As já entupidas vias da cidade maravilhosa devem ficar ainda mais intransitáveis.

 

Em um patamar não muito diferente está a cidade do sul do país que mais atrai turistas. Em Florianópolis, a ilha de belas praias e natureza exuberante, é possível perceber visitantes de todas as partes. Argentinos, australianos, chilenos, estadunidenses, ingleses, sem contar os brasileiros que vêm principalmente de São Paulo e do Rio Grande do Sul são presenças constantes nos pontos turísticos mais procurados. Muitos arriscam o sossego das suas férias no trânsito e, principalmente, no transporte coletivo da cidade.

 

Os moradores e turistas da bela capital catarinense têm à disposição carros em condições razoáveis, um sistema interligado que leva a praticamente todos os cantos da ilha, uma tarifa que não é das mais caras – R$ 2,10 para passageiros em geral e R$ 1,80 para aqueles que comprovem residência na cidade –, mas os intervalos entre a passagem de um ônibus e outro da mesma linha são demasiadamente longos. Rodovias, avenidas e ruas completamente engarrafadas é outro problema de que ninguém escapa. Minutos e horas preciosos para um visitante que não tem tempo de sobra para percorrer todas as belezas em poucos dias.     

 

 

 

Demora causa excesso de passageiros

 

 segue...



Escrito por giu carpes às 17h24
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...continuação

 

Aproximadamente às 10h30min do sábado, o transeunte chega na parada em frente ao supermercado Angeloni da Avenida Madre Benvenuta, bairro Santa Mônica. O objetivo é tomar um ônibus para o terminal da Lagoa da Conceição, onde há a interligação para a praia da Barra da Lagoa, primeiro destino do blogueiro, folião comedido. Às 11h, havia passado apenas um carro da linha UDESC e outro da SANTA MÔNICA, nenhum dos dois com o rumo que precisava. Pouco antes, chegava um jovem até ali e oferecia uma previsão nada otimista.

 

- Demora um pouco no final de semana. É preciso doses cavalares de paciência.

 

Ele aguardava por um ônibus para o terminal Canasvieiras. Após mais 30 minutos de espera, o esperado “buzão” surgia no horizonte. O transeunte já computava mais de uma hora sentado sem ver sinal da linha desejada, o que levou-lhe a decidir por tomar mesmo o ônibus que estava passando e mudar os planos. Rumaria agora para o terminal da praia mais movimentada da ilha e lá entraria em algum outro carro que me levasse à Lagoinha do norte.

 

O destino foi alcançado somente depois das 13h, totalizando mais de duas horas desde o início da epopéia rumo à praia. Era só a ida. Ainda precisaria voltar para casa no final do dia. E a volta foi bastante complicada. Depois de cerca de 25 minutos, um ônibus para o terminal Canasvieiras. Parecia que todos na ilha tomavam o mesmo caminho. Estradas, ruas e, principalmente, os ônibus lotados davam o tom das dificuldades a serem enfrentadas. Bóias, pranchas, brinquedos, bolsas e crianças chorando. E haja paciência para chegar em casa. O transeunte cochila, cansado e acorda já local da interligação de volta. Espera por outro ônibus até Santa Mônica e quase 30 até o destino final. Ufa! E era só o primeiro dia do carnaval.

Por azar, ou sorte, chove nos dias seguintes e a opção de pegar uma praia fica completamente comprometida. O remédio era ficar em casa. Cerveja gelada para acalmar. Ótimo, mas chega um momento que até a vida boa entedia. A solução era rumar para um bar no Moçambique onde haveria uma banda de maracatu formada por uns bichos-grilo da ilha na noite de segunda-feira. De ônibus, claro. Pouco mais de 21h e o trânsito já era pesado. Ao notar o coletivo diminuindo a velocidade até parar e avistar uma fila enorme de carros à frente o australiano no “buzão” rumo ao terminal da Lagoa quase entra em desespero:

 

- Puta, meu! Cedo desse jeito e o trânsito já tá entupido! (em livre tradução do monte de palavrões que ele soltou para manifestar seu descontentamento).

 

Nada fácil. Mais de meia hora até o terminal, 15 minutos de espera pela linha do Rio Vermelho, 35 minutos de viagem e, finalmente, lá chegamos: o Rancho do Moçambique. A banda até que era bem boa. Chico Science, Alceu Valença e afins, mas...e o público?! Não havia mais do que 15 pessoas no lugar, contando com o proprietário, uma funcionária, a banda e uns amigos, o transeunte e sua namorada. Paulo Klug, o dono do rancho, explica o ocorrido:

 

- Faltou divulgação da noite de hoje. Nas outras noites deu mais de 80 pessoas, mas está mesmo fraco.

 

Ele não esperava continuar com o bar aberto durante o inverno, o que significava que aquela seria a última noitada da temporada. Triste fim de carnaval. Triste descaso com o turismo na ilha e em quase todo lugar bonito que esse Brazil disponibiliza. No sítio da Embratur, duas notícias chamam a atenção no dia 27/02: Janeiro é o melhor mês da história do turismo brasileiro em gastos de estrangeiros e Novo site no Portal Brasileiro de Turismo facilita a vinda de turistas-golfistas estrangeiros. É, parece que as preocupações dos turistas e da empresa pública responsável pelo setor no país não são bem as mesmas. E o transeunte precisando de carona para voltar para casa. Claro que não havia ônibus depois das 22h30min lá pela região do Moçambique. 



Escrito por giu carpes às 17h20
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Um abrigo à beira do rio

Os sem-teto estão espalhados por todos os bairros de Porto Alegre, sendo possível vê-los por praticamente toda parte. Nesses dias quentes de verão, podemos avistá-los inclusive no meio das calçadas, o sol a pino esquentando o chão onde dormem imóveis, possivelmente com a consciência alterada por alguma substância que os alivie da vida real.

Os passantes percebem essas cenas diariamente, mas seguem seus caminhos. Parecem vacinados contra a terrível visão de semelhantes que nada possuem além do peso de seus corpos e poucas tralhas para carregar. Providências são tomadas somente quando os sem-teto acordam para a realidade, se dão conta de que precisam sobreviver, seja isso apenas instinto, e acabam importunando. Nesse sentido, alguns chegam mesmo a praticar pequenos crimes para se manter quando cessam as doações dos mais piedosos.

No entanto, esse não é o caso dos acolhidos em "abrigo" às beiras do Guaíba, nos arredores da Usina do Gasômetro. As copas de árvores próximas umas das outras são utilizadas pelos sem-teto para a proteção contra as intempéries. Sob a indiferença das hordas de pessoas que se exercitam todo final de tarde a apenas alguns metros dali, eles fazem suas refeições, descansam e até confraternizam no local. Os mantimentos, desde alimentos à cachaça, são providos por donativos de paróquias e outros moradores da cidade, além do trabalho informal de alguns deles.

Pati mora, cozinha e ajuda os demais no abrigo improvisado às margens do Guaíba

Logo que o transeunte se aproxima, quem levanta e vem conversar é Amaral. Funcionário público municipal, ele limpa as ruas das imediações. Visivelmente alcoolizado, fala incessantemente. Estava bebendo com os demais depois do seu expediente. Cachaça, claro. Astuto, pede dinheiro em troca da possibilidade de fotografá-lo ou entrevistá-lo. Diz que tem 12 filhos e precisa sustentar a prole. Acalma-se um pouco quando ofereço uns trocados. O amendoim que carrego ele prefere deixar para outra hora. Pergunto-lhe se, por acaso, seus amigos ali não viviam antes embaixo das pontes da Avenida Ipiranga. Diz que não, fazendo um comentário surpreendente sobre o fechamento dos locais pela Prefeitura: "O pessoal tomava droga, dormia e caía dentro do riacho. Imagina o que acontecia. Os caras não conseguiam fazer nada e morriam."

Eventos semelhantes, contudo, também ocorrem ali por perto, às vezes com desfechos um pouco diferentes. Pati, que vive há cinco anos em Porto Alegre, conta que é freqüente acharem corpos ou pedaços destes boiando no Guaíba. Com sorte, o pessoal do abrigo consegue salvar alguém que está se afogando nas águas poluídas do rio.

Pati é natural de Pelotas. Cinco meses atrás saiu do albergue da Sociedade Emanuel para levar a vida a seu modo do lado de fora. "Eles são muito rígidos", afirma. Refere-se às regras da casa que exigem o afastamento das drogas e impõem um horário-limite para entrar na casa. Segundo ela, todos no abrigo à beira do rio (ou lago, como queiram) são dependentes químicos e é difícil cumprir tais exigências. A solução é ganhar a rua. Embora as dificuldades, ela não aparenta indignação ou arrependimento, parece mesmo conformada e agradecida pela ajuda de todos que, de uma forma ou de outra, mantêm o local.

Esse é o caso de Santa Cruz, apelido recebido devido à sua cidade natal. Ele cuida dos carros do estacionamento da Usina durante a noite. Com as doações, ajuda a comprar mantimentos para o arroz carreteiro e a salada de tomate que Pati gosta de cozinhar para o pessoal, especialmente aos domingos. "Às vezes dá para fazer algo diferente", diz ela. O dinheiro recebido também serve para garantir a cachaça, amiga e inimiga de boa parte de seus companheiros. Ele admite ser alcoólatra e mostra fotos da iniciativa de um senhor e seu filho que visava a tentar afastá-los das drogas. Todos sorridentes ao lado de uma porta branca com a palavra "saída" escrita. A estória deve virar livro a ser vendido por eles para ajudar nas despesas. Enquanto a publicação não sai, segue a vida, um carro após o outro. A cachaça como companhia, lamenta ele.



Escrito por giu carpes às 14h21
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pelas esquinas

"Aqui não!"

 Adesivos, amendoim, artesanato, bijuterias, bilhetes de loteria, guardanapos de prato, incensos, jornais, rosas. Os vendedores ambulantes do bairro boêmio da Cidade Baixa, em Porto Alegre, vendem tudo isso e um pouco mais. Somados a eles e suas bugigangas, transitam pela região várias outras pessoas que nada vendem, mas aceitam doações de dinheiro ou qualquer coisa que o valha. Buscam os trocados que os inúmeros freqüentadores dos bares dali se convençam a não gastar em cerveja.

Para o sucesso na empreitada, uma boa aproximação é fundamental. Um sorriso, uma piada, uma cantada criativa dirigida à guria bonita e vaidosa. Estratégias não faltam aos vendedores ambulantes e a quem pede esmolas. Boa auto-estima é fundamental, pois mesmo com muita criatividade na chegada, as negativas fazem parte do jogo, são inevitáveis.

O convívio costuma ser, no mínimo, amistoso. Não raramente, é possível até ver os habitués da noite sorrindo aos gracejos daqueles que buscam sobreviver através do comércio ambulante. Contribui quem quer, ressalte-se. Para os incomodados com a abordagem, o conhecido "não, obrigado" é suficiente para encerrar a conversa e retomar o prumo do bate-papo à mesa de bar.

No entanto, existem exceções à regra do convívio pacífico. O bar Ossip (Rua da República, na esquina com a João Alfredo), por exemplo, instrui seus dois vigilantes a impedir a circulação dos ambulantes e pedintes ao alcance de seus bares. Não todos os comerciantes, verdade seja dita. Só aqueles de aspecto mais humilde, mal-vestidos. Marcelo, funcionário da casa, é quem confirma o "tratamento especial aos intrusos". Questionado se eles podiam circular dentro do estabelecimento, respondeu de pronto que não. "E fora?", pergunta o transeunte. "Fora também não. O segurança manda eles embora", garante, com a voz de quem está um tanto incomodado.

 

Ao fundo (de camisa branca), um dos seguranças à espreita: ao primeiro sinal de "intruso", ele dá o bote

No local, os trabalhadores de rua são alvo de um tratamento sequer dispensado aos cachorros vira-latas, também transeuntes costumeiros do bairro, com desrespeito e alta dose de truculência. Um dos dois vigias, de biotipos semelhantes, portes avantajados e timbres de voz vigorosos tratam logo de afugentá-los ao mais leve sinal de comunicação deles com algum cliente da casa. "Aqui não!", resmunga. Acuados, vendedores e quem pede esmolas saem de cabeça baixa, humilhados.

Humanos que são, os seguranças se distraem conversando e quem se "intromete" é Joeci Ribeiro. Pede qualquer ajuda que seja. Conta, apressado e atento à movimentação dos "inimigos", que precisa de dinheiro para comprar material de limpeza. Ofereço tudo que tenho, uma passagem escolar, aceita de bom grado. O transeunte pergunta como é o tratamento do pessoal do bar. "É difícil. Eles não entendem as nossas dificuldades, que somos cidadãos também e temos direitos. Direitos Humanos", afirma com olhar entristecido. "Isso é discriminação. Qualquer doutor em direito sabe o que isso dá", completa, com a voz baixa, quase inaudível. Incentivo-lhe a dizer qual a punição para este crime, mas ele não consegue dizer, parece que temeroso de algo . "Dá cadeia!", me apresso, no que ele logo confirma e se despede, pressentindo a aproximação da vigilância. Desaparece rapidamente, enquanto eu ainda sussurrava-lhe um "boa sorte". Ele há de precisar.

Volto os olhos para onde estou e o curioso é que o bar não tem capacidade para acomodar todos os freqüentadores nas suas dependências. São apenas 30 lugares, nem todos sentados, informa Maurício. O agito, os flertes e os papos mais entusiasmados ficam do lado de fora, na calçada e na rua mesmo, onde dezenas de pessoas se aglomeram buscando espaço por entre engradados e outros clientes com seus copos e garrafas de cerveja às mãos. É no calçamento, onde não poderia impedir o direito de ir e vir de ninguém, que o Ossip trata de escolher quem pode permanecer. Apropriação cara-de-pau do espaço público.

O bar foi considerado pela Veja Porto Alegre como o melhor boteco da cidade em 2006. Surpreende o texto da revista (http://veja.abril.uol.com.br/melhor_da_cidade/porto_alegre/bares.shtml) que descreve o lugar como "consagrado pela democracia – com todos os tipos de público e assunto". No regime "democrático" implementado pelo Ossip na "sua" calçada, comerciantes ambulantes e humildes pedintes, com suas já tradicionais aproximações bem-humoradas não são bem-vindos.



Escrito por giu carpes às 14h28
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