outro sentido


 

outro sentido

 

"Sua Segurança" esconde políticas públicas

 

Deve ser do conhecimento de todos os leitores do transeunte que o jornal ZH lançou no início do ano uma campanha definindo 2007 como o ano da segurança. Para tanto, “fundou” uma nova editoria no jornal, a “Sua Segurança”. A coluna, capitaneada pelo jornalista Humberto Trezzi, serviria para colocar uma interpretação às notícias mais importantes do dia em relação à segurança pública. Serviria, porque, na realidade, o que acontece é o comentário de Trezzi sobre assaltos, roubos, furtos e demais crimes de repercussão. Quase não aborda políticas públicas para a segurança. Quase não acompanha e “agenda” a Secretaria de Segurança. Quando o faz, basta uma coluna para comentar assuntos como a Lei Seca e a cobrança pelo trabalho dos PMs nos estádios. Temas que dão pano para a manga todo dia, mas que perderam a relevância para a “Sua Segurança”.   

 

Trezzi poderia muito bem associar os resultados da pesquisa Small Arms Survey 2007, divulgada nesta semana pelo Instituto de Estudos Internacionais de Pós-Graduação, em Genebra, na pacata Suíça, às políticas que a Secretaria de Segurança tenta implantar à força no Estado. Porém, trata de comentar a pesquisa sem contextualizá-la na sua coluna do dia 29/8. Alguns dados do estudo não são exatamente novidades e corroboram com trabalhos anteriores que julgam serem as armas e a desigualdade social os aspectos mais importantes para explicar a violência no País. A Small Arms Survey afirma que existem 15,3 milhões de armas leves (de fogo) no Brasil, número que coloca os brasileiros na oitava colocação no ranking mundial.

 

Os dados mais desconcertantes – senão conhecidos, ao menos esperados – referem-se à polícia e à desigualdade social. Segundo o estudo, 80% das munições utilizadas no Brasil são oriundas das próprias forças policiais. Além disso, um importante fator de risco da violência armada no País é ser jovem (entre 15 e 29 anos), estar fora do sistema educacional e não ter emprego formal. Ou seja, se cruzarmos essas duas constatações, a que conclusão chegamos? Além de ser pobre, desempregado e sem expectativas, o jovem ainda tem que se cuidar com a violência policial. O seu Trezzi, claro, numa blindagem à sua Secretaria preferida, pergunta como provar que toda essa munição venha da polícia e como associar aumento do número de armas e da violência à desigualdade, se nos EUA as armas também aumentaram? O showrnalista está acostumado demais às teorias americanas da “vidraça quebrada” e da “tolerância zero”. Talvez ignore que, nos EUA, portar armas seja um costume nacional devido ao medo constante que sua população tem. E assim aproveita para desviar o olhar do leitor às iniciativas da Secretaria de Segurança que em nada resultarão em termos de segurança real ao cidadão.



Escrito por o transeunte às 12h45
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nosso lado da calçada

 

Leituras obrigatórias

 

Mais preocupante do que o caos aéreo – segundo pesquisas, só 8% dos brasileiros costumam viajar de avião com alguma freqüência – é a questão da segurança pública. Maquiavel, lá atrás na nossa linha do tempo, já pregava que a atribuição mais importante dos governos era garanti-la. Nessa semana, a revista Carta Capital publica, em primeira mão, matéria completa sobre o novo plano de segurança nacional. A novidade é que o projeto prevê uma série de ações também no campo social, unindo duas correntes de pensamento distintas, uma de viés mais sociológico – a que prevê investimento no campo social, saúde, educação etc – e outra que vai mais para o lado da repressão. A intenção é boa. Se vai funcionar, já são outros quinhentos. Ao menos pensar um pouco além da questão da “tolerância zero” é um avanço nesses tempos de conservadorismo candente.

 

Além desta matéria, há outra, acompanhada de um artigo, sobre os abusos policiais. Depoimentos de figuras como o comandante-geral da PM do Rio, pra citar só um, dão conta de que a corrupção e a crença de impunidade permeiam o sistema policial em todo o país. Vale a pena ler o texto da irrepreensível lauda de Phydia de Athayde e um camarada de sobrenome Erthal.

 

No mais, a Caros Amigos deste mês também é uma leitura obrigatória para quem ainda acredita em jornalismo de primeira. Uma entrevista com três ex-prisioneiros de Guantánamo é a chamada de capa, mas é de imensurável outra entrevista com um delegado de polícia que trata seus presos de maneira mais humana a partir de teorias sociológicas que levam os Direitos Humanos em conta.   



Escrito por o transeunte às 00h27
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O crime e o criminoso

 

Não faltaram apressados analistas do acidente do vôo 3054 a anunciar um culpado, o governo federal, pela tragédia. Pouco mais de três semanas se passaram e ganha corpo a tese de que a falha no Airbus 320 tenha sido causada por uma série de omissões – inclusive do governo – mas, principalmente, da TAM e até quem sabe do fabricante do avião. Não se pode descartar ainda as administrações passadas, coniventes com a empresa que mais coleciona acidentes nos últimos tempos, basta lembrar um em 1996, no mesmo aeroporto de Congonhas, vitimando passageiros, tripulação e moradores de um bairro próximo ao local da queda. A filósofa Marilena Chaui – petista de carteirinha, o leitor pode não saber, mas crítica de Lula – tem um relato bastante marcante sobre a crise que se criou após o acidente. A entrevista foi concedida ao blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim.   

 



Escrito por o transeunte às 00h05
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Reflexões sobre a invasão da USP

 

Uma matéria que leva a reflexão do papel do movimento estudantil na invasão da reitoria da Universidade de São Paulo, mostrando simpatia com a mobilização, mas também sem deixar de criticar algumas características do movimento. Invasão na USP revela um desejo paradoxal por ordem, da Folha de São Paulo do último domingo (24/6), é o texto a que estamos nos referindo.

 

Dois sociólogos e um filósofo que mantiveram contato constante com os alunos que ocuparam a reitoria da Universidade foram entrevistados pelo jornal para refletir sobre a crise. A conclusão mais surpreendente é que a revolta, tomada como revolucionária pelo movimento estudantil, tem objetivos conservadores, tal qual restabelecer a ordem dentro da instituição.

 

Algo, no mínimo, para se pensar sobre o movimento estudantil. Pode servir até como exercício de autocrítica para seus integrantes. Eles estão se acostumando à lógica acadêmica? De se refletir. O que fica, no entanto, é que um longo período de apatia quase completa foi ultrapassado.

 

 A seguir, alguns trechos da reportagem.

 

“O que já se sabe é que nasce com o mérito de romper um hiato de apatia e desmobilização, mas marcado por um paradoxo: o movimento que se pretende revolucionário e desafia a ordem legal é o mesmo que luta por pautas conservadoras e para restabelecer a ordem.”

 

“A surpresa foi que ainda existe gás para reagir”, diz Laymert Garcia dos Santos, professor de sociologia da Unicamp.

 

“A ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a política tradicional não tem mais capacidade de processar os conflitos sociais. É essa incapacidade que eu venho chamando de irrelevância da política”, afirma Francisco de Oliveira, economista e sociólogo, professor aposentado da Universidade de São Paulo.

 

“Simplesmente estamos nos dando conta de que política pode ser outra coisa. Um pontapé na porta rompeu uma rotina de decretos, de apatia. E fez com que um governo prepotente revogasse os decretos”, ressalta Paulo Arantes

  

 



Escrito por o transeunte às 12h09
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A opinião de quem conhece a Universidade

 

O senador Cristovam Buarque, em entrevista à revista Sextante (laboratório dos alunos de Jornalismo da UFRGS) do final do ano passado, manifestou a sua opinião sobre a diferença do desempenho escolar de brancos e negros nas escolas. “Os negros têm tanta genialidade quanto qualquer outra raça. Agora, no Brasil, o negro é pobre. O pobre não tem escola. Não tendo escola, não tem educação. Aí, terminam os negros tendo menos desempenho que os brancos, mas porque os brancos têm dinheiro e pagam escolas boas.” Essa diferença é que costuma favorecer os brancos no ingresso à Universidade pública.

 

Wladymir Ungaretti, professor de Jornalismo da UFRGS, afirma que, em 15 anos de Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), teve em sala de aula, no máximo, 10 pessoas negras. “Negro em sala de aula é de convênio com países africanos. Será que ninguém - desta parcela da população - gostaria de ser showrnalista e ingressar em um cursinho técnico de comunicologia? Os negros, quando conseguem ingressar, acabam se tornando JORNALISTAS. Muito raramente perdem a noção de origem. Todos com quem tive a oportunidade de conviver eram grandes profissionais. Gente de raça." 

 

 

Cristovam, ex-reitor da UNB é favorável ao sistema de cotas. Segundo ele, esta é uma maneira – longe de ser suficiente – de tentar resolver uma injustiça histórica contra negros e índios. No entanto, o último candidato do PDT à Presidência da República é taxativo quanto a essa ser uma solução para o problema educacional brasileiro. “As cotas para negros e índios nada têm a ver com a “apartação”, o “apartheid social”. Têm a ver com o absurdo de, 120 anos depois da abolição da escravatura, a elite brasileira ser quase toda branca. A apartação social será eliminada com 100% dos jovens terminando o ensino médio com qualidade, e não com mais vagas nas universidades para os poucos, cerca de 18%, que terminam o ensino médio com qualidade”. As cotas são um paliativo, mas há um longo caminho a se percorrer para tornar nossa sociedade igualitária.

 



Escrito por o transeunte às 13h10
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Cotas e Celeuma

 

O blog Celeuma publicou no dia 18/6 uma reportagem completa sobre a questão da implantação do sistema de cotas. Vale muito a pena dar uma olhada.



Escrito por o transeunte às 13h04
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Manipulação. Manipulación.

 

À primeira vista, o artigo de Marcos Rolim na página 22 de Zero Hora, do último domingo (10/6), poderia parecer uma cessão de espaço do veículo de comunicação à pluralidade de debate sobre a cassação da RCTV por Hugo Chávez, na Venezuela. Mas engana-se quem leva essa impressão adiante.

 

Por uma semana, no mínimo, a mídia nativa inteira cansou de denunciar a medida de Chávez que atentaria contra a “liberdade de expressão” ou “de imprensa” – por mais que tente continuo a desconhecer o limite entre as duas e a desacreditar que essas podem ser prerrogativas dos oligopólios midiáticos. Passeatas de estudantes indignados, choro, vela e insatisfação contra a “injustiça”. Capas, contracapas, páginas de destaque sob a cartola internacional. Nem um pio sobre o golpe de Estado arquitetado dentro da emissora cassada que quase culminou com o assassinato de Chávez, reconduzido ao seu posto dois dias depois por levantes populares.

 

O primeiro e único pio, nesse jornal, foi de Rolim. Um editorial de canto de página, à esquerda do leitor, sabidamente um espaço de menos apelo. O título? Mala Leche. Compreensível apenas para muito poucos, algo como leite podre em espanhol, imagino. Quando vale a pena manipular, os meios de comunicação quebram qualquer regra dos seus próprios manuais.

 

Ah, ia me esquecendo. Na mesma edição, à página 20, um solene editorial com ilustração e o triplo do espaço do artigo de Rolim fala sobre o mesmo assunto. Condena Chávez, claro. Juro que não estou vendo coisas. Mas que hay manipulación hay...



Escrito por o transeunte às 00h26
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Aula de jornalismo

 

A Folha de São Paulo, assim como o Estadão, tem um curso de jornalismo aplicado direcionado a recém-formados jornalistas. Pois o treinamento da Folha tem um blog, o Novo em Folha, onde informa diariamente sobre algumas questões importantes para a prática jornalística.

 

Nesta quarta (30/5), chamou a minha atenção uma postagem sob o título “Não engula os números”. Nela, a editora de treinamento da Folha falou sobre quatro ocasiões em que os jornalistas engoliram os números passados pela fonte e não checaram se eles estavam corretos. Um dos exemplos falava da compra da Swift pelo frigorífico Friboi, largamente divulgada, que foi panfleteada pela empresa compradora: seria a maior do mundo em se tratando de carne bovina.

 

Os jornais gaúchos, provando o seu tino para o sensacionalismo e a pouca vocação para o jornalismo de verdade, engoliu os dados divulgados pela Friboi. Verdade? Ninguém sabe. Agora também já é tarde.

 

Assim funciona também com os números da (in)segurança pública divulgados mensalmente pelo governo do Estado. Todo mês diz-se que os crimes estão diminuindo, mas a verdade factual é bem outra. Já falamos sobre isso neste blog. Não se engane, leitor, não se engane. Mente-se muito por aqui. Por absoluto despreparo, por vezes. Por má intenção, com freqüência.    

 



Escrito por o transeunte às 18h33
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Caros Amigos: 10 anos

É com certo atraso que decido fazer uma homenagem à revista Caros Amigos que fez 10 anos em abril. Esta é, na opinião do blog, uma das poucas publicações brasileiras ainda comprometida com o jornalismo, antes de todo o resto. A edição de aniversário traz uma matéria sobre a esquerda hoje em dia. Foram entrevistados 36 pensadores e militantes da cena política do Brasil. Responderam uma única pergunta: o que é ser de esquerda? Claro que a maioria das respostas não causaram surpresa, comoção ou espanto, mas algumas são de se destacar. Fácil julgar quem, na realidade, não tem a mínima afeição à esquerda:

Jorge Bornhausen, advogado e político do DEM (ex-PFL).

Acho que é diltantismo, porque o próprio presidente da República, que se diz de esquerda, não segue qualquer linha ideológica, nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Essa divisão entre esquerda e direita é algo absolutamente superado. Hoje, a política é uma política de resultados para o cidadão, e ele não está preocupado se o político se diz de direita, de esquerda ou de centro.

Tereza Cruvinel, colunista política do jornal O Globo e comentarista da Globonews.

A propósito da lenda de que os rótulos ideológicos perderam o sentido e o significado no mundo de hoje, gosto de uma velha tirada da Simone de Beauvoir, que dizia, já naquele tempo: “Se lhe apresentarem um homem que se apressa a dizer que não vê diferença entre esquerda e direita, tenha certeza de estar falando com um homem de direita”.

Dito.

Durante esses 10 anos a revista se notabilizou por entrevistar figuras importantes do país. Oscar Niemeyer, Paulinho da Viola, Mino Carta, Leonardo Boff, Caco Barcellos, entre outros. Comprar a revista, normalmente, é um investimento à cultura de cada um.  



Escrito por o transeunte às 11h45
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Liberdade de expressão cascateira

 

Vemos com freqüência as empresas jornalísticas publicarem matérias reivindicando a liberdade de expressão ou de imprensa e reclamando de atitudes que não respeitem este direito. Assim aconteceu, no dia 8/5, quando o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e do grupo RBS, Nelson Sirotsky, leu um manifesto, num almoço com o ministro da Justiça, Tarso Genro. De autoria “das principais entidades representativas dos meios de comunicação brasileiros” – o título é da própria ANJ –, o documento condena “a interferência do Estado no livre fluxo de informações e opiniões”. Notícia nos jornais de todo o país, claro. Página 18 inteira de Zero Hora, por exemplo.

 

Pois não é que, dois dias depois (11/5), 28 jornalistas foram demitidos pelo Diário da Manhã, de Goiás. O motivo: estavam todos trabalhando trajados de preto, em protesto pelos constantes atrasos de salário, mais especificamente pelo não-recebimento dos vencimentos de janeiro, fevereiro e abril – o jornal pagou março, fazendo uso inclusive de ”vales” para parcelar os valores.

 

O dono do periódico, filiado à ANJ, simplesmente ignorou o direito à livre expressão, garantido pela Constituição e falsamente defendido pelos donos dos meios de comunicação. Falsamente porque sequer um jornal de grande circulação do Brasil deu destaque à notícia. Critérios de noticiabilidade um tanto estranhos os da imprensa de referência deste país. Mas o que esperar de associados de uma entidade – a ANJ – que é apoiada por uma empresa fumageira e outra papeleira, Souza Cruz e Norske Skog, respectivamente? Saliente-se que os negócios das duas são legais, mas bastante contestáveis eticamente.  

 

O sindicato dos jornalistas de Goiás e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) emitiram nota de repúdio ao Diário da Manhã. “Tão descabido quanto as demissões arbitrárias, foi o comportamento do dono do jornal e, infelizmente, de jornalistas ocupantes de cargos superiores, que se prestaram ao triste papel de assediar moralmente os colegas”, dizia o documento. É, meus amigos, a pior censura é a da própria imprensa.

 

* com informações do site O Jornalista Online

 

 



Escrito por o transeunte às 12h35
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Classificação indicativa da TV: censura?

 

Não faltam representantes dos meios de comunicação a condenar a nova classificação indicativa dos programas de televisão. A portaria do Ministério da Justiça que obriga as emissoras a indicar a idade adequada para assitir a cada programa começou a valer no último domingo (13/5). Alguns pontos do documento - considerados polêmicos por algumas emissoras - só serão definidos daqui a 40 dias, com a conclusão de debates entre representantes das TVs, da sociedade civil e de entidades de defesa dos direitos humanos e da infância.

 

Os pontos polêmicos são: a padronização dos símbolos que informam a classificação indicativa, a necessidade de informar a faixa etária em trailers e chamadas e a reclassificação cautelar (que ocorre quando uma emissora exibe um programa que o Ministério considera impróprio para o horário).

 

A MTV, que se considera independente, é a única emissora que já está com a vinheta no ar. Zico Góes, diretor de programação da emissora jovem, afirma que já estava tudo pronto antes do adiamento:

 

- Não fazemos porque o governo manda, mas sim porque achamos legal. A vinheta já está pronta, está no ar e não atrapalha em nada.

 

Para ele, as críticas à portaria são "ridículas": "Achamos um absurdo toda essa gritaria. É uma grande cortina de fumaça chamar de ditadura, de censura. O governo é péssimo, mas foi a sociedade que decidiu isso na Constituição. É para defender o direito da criança e do adolescente ou não?".

 

* com informações do Terra Magazine



Escrito por o transeunte às 12h30
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Herzog, Sobel, Mindlin...

 

Leio no blog do mino, nesta quarta-feira (17/4), bate-papo entre Mino Carta e Duque Estrada a respeito da participação do rabino Henry Sobel no enterro de Wladimir Herzog. O rabino, todos devem saber, foi preso recentemente nos EUA, acusado de roubar gravatas de grife em algumas lojas. Num costume da mídia nativa, de descontextualizar e esquecer o passado das pessoas, Sobel foi condenado publicamente e teve sa reputação estraçalhada. Vale a pena ler o bate-papo para ver o nobre papel que o rabino desempenhou quando da morte do jornalista Herzog, um dos desaparecidos (foi assassinado) políticos mais famosos do período de ditadura deste país. Duque Estrada lembra que o secretário de cultura de SP José Mindlin à época era um dos que estavam na mira dos generais. Mindlin hoje é membro da Academia Brasileira de Letras, dono de uma das maiores bibliotecas particulares do país e o entrevistado da próxima revista Sextante, produzida pelos alunos de jornalismo da UFRGS. Para constar, reproduzo o diálogo de Carta e Estrada abaixo. Um pouco de História amplamente desconhecido.       

 

Bate-papo com Duque Estrada

Mino - Quando Wlado se apresentou no DOI-Codi às 8 da manhã do sábado 25, você encontrou-se com ele?

Duque – Fomos encapuzados, o Rodolfo Konder e eu, e conduzidos a uma sala, havia cadeiras e sentamos. Abriu-se a porta e entrou alguém mais, conduzido por um carcereiro, o Porquinho. O recém-chegado sentou-se também. Por baixo dos capuzes, víamos os sapatos uns dos outros, e Rodolfo logo reconheceu o mocassim de Wlado.

Mino – Vocês se falaram?

Duque – Aí entrou o Pedro Mira Grancieri, um policial de segundo escalão e ainda assim ativo torturador. Ele mandou que tirássemos o capuz, e eu disse ao Wlado: “Está tudo aberto”. Ele de alguma forma se fez de desentendido, disse que a gente se reunia para falar de cinema. Eu insisti: “Não adianta, eles têm o nome de todos”. Notei que a cadeira de Wlado tinha assento de metal, e em um armário, às costas dele, vi ripas envoltas por tiras de algodão, destas que batem sem deixar marcas. Ele continuou a negar que as nossas reuniões tivessem conotação política. O Grancieri mandou que Rodolfo e eu saíssemos da sala. Era truculento sem ser um homenzarrão, recordo que tinha uma âncora tatuada sobre o braço direito.

Mino – E aí passaram a torturá-lo?

Duque – De fora a gente ouvia os gritos de Wlado e os xingamentos de Grancieri, berrava “judeu f.d.p.”. Logo fomos reintroduzidos na sala, Vlado tinha sido surrado violentamente, mas teve a força de murmurar nos meus ouvidos: “Estão atrás do Mindlin”. José Mindlin, secretário da Cultura do governo paulista, tinha fama de liberal. Saímos de novo, no fim da tarde soubemos da morte do Wlado.

Mino – E vocês foram liberados para acompanhar o enterro na segunda...

Duque – Só para o enterro. Logo em seguida reconduzidos ao DOI-Codi. Lembro-me de que você estava lá, mas nos cumprimentamos de longe, você foi impedido de se aproximar. Antes disso, tínhamos passado pela câmara mortuária, o rabino Sobel já estava lá, para impedir a alteração do local do sepultamento, para que o Wlado não fosse enterrado na área dos suicidas.



Escrito por o transeunte às 19h38
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ponto de vista

Como a picaretagem conquistou o mundo  

 

por WU, do sítio ponto de vista, especial para o transeunte.

 

 

 

 

Umberto Eco diz que "um título deve confundir as idéias, nunca discipliná-las". Mas diz também que um título é uma chave interpretativa, independentemente da vontade do autor. E, para justificar, lembra as sugestões geradas por "O vermelho e o negro" ou por "Guerra e Paz". Admite, no entanto, que um autor possa se permitir uma brincadeira  como Dumas, em "Os três mosqueteiros" que, em verdade, é a história do quarto. "Como a picaretagem conquistou o mundo", de Francis Wheen é um título que não deixa dúvidas e, por outro lado, não sugere o disciplinamento de idéias. Ao ver a capa do livro, imediatamente, lembrei destas observações de Umberto Eco. Francis Wheen é escritor e jornalista premiado por suas contribuições ao jornal inglês The Guardian. É autor de vários livros, mas o destaque é uma biografia de Marx. A editora Record acaba de colocar, nas livrarias, a segunda edição do livro "picaretagem". A idéia central do autor é a de que de Margaret Thatcher, em diante, com Fukuyama e um bando de charlatões, a modernidade foi posta à prova por uma terrível aliança entre pré e pós-modernos, tecnocratas e místicos. Todos em um caldeirão que fervilha como se não tivesse acontecido o iluminismo. O livro começa alinhando os fatos que resultaram na destruição do Irã laico, com o apoio imperialista ao xá Reza Pahlavi e o posterior retorno de Khomeini. Com o apoio dos Estados Unidos todos os traços de democracia foram destruídos por Reza Pahlavi. Este chegou ao poder ajudado pela Cia em um golpe de Estado contra o liberal esquerdista Mohammad Mossadegh. Como nos cursos de comunicologia, o estudo de questões relativas às relações internacionais é uma perfumaria ocasional; só nos resta tentar alertar que a leitura deste livro possibilita o entendimento de muitos aspectos do noticiário de mundo da mídia corporativa. Temos convicção de que o seu "olhar" sobre os noticiários internacionais irá mudar.

 



Escrito por o transeunte às 19h17
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outro sentido

Tema para debate: Mestres e doutores na polícia

O texto abaixo foi retirado da edição on-line de março da revista Caros Amigos. Será que doutores e mestres são a solução para melhorar a polícia?! A exigência de doutorado não melhorou a Universidade, por exemplo. Hmmm...sei não.  

 

por Ronilson de Souza Luiz

 

Conforme definiu o antropólogo e ex-secretário nacional de segurança pública, Prof. Dr. Luiz Eduardo Soares :

“Nossas polícias são máquinas pesadas e lentas, nada inteligentes e criativas, que não valorizam seus policiais nem os preparam adequadamente; não planejam nem avaliam o que fazem; não aprendem com os erros porque não os identificam; não conhecem os problemas sobre os quais atuam (os policiais, individualmente, sabem muito; a polícia, como Instituição, nada sabe); não cultivam o respeito e a confiança da população; cada vez mais só prendem em flagrante, porque pouco investigam; limitam-se a reagir depois que os crimes já ocorreram; cometem um número imenso de crimes, quando sua tarefa é evitá-los ou conduzir à Justiça os perpetradores.”

É a partir desta constatação que defendo a tese de que se não investirmos, também, no processo externo para melhor qualificação dos policiais, pouco avançaremos.

Não por acaso, o que mais me perguntam desde quando ingressei no mestrado é “quando você vai sair da polícia?”. Nossas polícias são, em última análise, concomitantemente, uma função social, uma organização jurídica e um sistema de ação cujo recurso essencial é a força.

Prever, projetar e prevenir são os verbos que se apossam de nossas vidas individualizadas como resultado dos cenários presentes, especialmente nas áreas da saúde, educação e segurança pública; por atuar nesta última há poucos 17 anos, é a respeito dela que escrevo.

Neste exato momento em que o país comemora 10 mil doutores/ano, minha pergunta é: quantos pertencem aos quadros da segurança pública em seu ponto mais expressivo, ou seja, o policial militar fardado, a “ponta da linha”?

As demandas da atividade policial, hoje, exigem que o policial tenha discernimento nas mais variadas e complexas situações, em razão de as novas tecnologias e a dinâmica da velocidade dos grandes centros urbanos exigirem desenvoltura e outras competências para a tomada de decisões.

Longe de acreditar que seja condição sine qua non ser Doutor para atuar no policiamento de grandes metrópoles. Contudo, prezado leitor, nenhum de nós imagina cidades como Paris, Nova Iorque, Madri, Tóquio sem um único Doutor, em qualquer área do conhecimento, que faça também parte de seus quadros, mas, pasmem, por aqui isso acontece e não só em São Paulo, mas também nas demais unidades da federação.

 

segue...



Escrito por o transeunte às 19h04
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...continuação

 

A constante insuficiência de recursos, combinada com a imprevisibilidade e complexidade dos problemas contemporâneos, exige inovações na busca de métodos alternativos de intervenção, fatores que cobram um outro modelo de formação e gerenciamento do aparelho policial.

Para promovermos ações coletivas, a fim de que se vislumbrem horizontes melhores, os governantes e dirigentes da pasta devem investir na pós-graduação (mestrado e doutorado), pois, com as ferramentas de que estes cursos dispõem, nossos gestores de segurança pública poderão antever melhor e com maior profundidade os dinâmicos processos que interagem com a segurança pública.

Trabalho, pesquiso e estudo objetivando participar de uma instituição livre de vícios, valorizada socialmente e detentora de credibilidade. Sobre o futuro da Polícia Militar, penso que está chegando a hora de tomarmos o remédio amargo. Um conjunto crescente de profissionais percebe que nosso modelo urge ser reformulado, todo o sistema passa por significativas mudanças, e não cônscios desta realidade daremos maior vigor ao descrito no início destes escritos.

Reafirmo, como educador policial-militar, que não obstante os diagnósticos sombrios a respeito da profissão policial, busco e acredito, com entusiasmo, que há caminhos seguros a serem trilhados, para nos afastarmos da barbárie reinante, e estou convencido de que ele passa pelo investimento, com apoio das Universidades, na pós-graduação dos policiais. Temos também que revitalizar as instituições internas de ensino, com revisões dos currículos e metodologias mais significativas, aproveitanto o restrito número de titulados (mestres) que, infelizmente, ainda não atuam na área de formação.

Agora, na fase final do doutoramento, a pergunta que ouço é: por que você ainda não saiu da polícia? Desejo ter exposto aqui parte da resposta, que não é apenas minha, mas também de outros poucos que seguem esta trilha.  Enfim, a caminhada é longa, irregular, espinhosa e imprevisível — igual a tudo na vida.

 

Ronilson de Souza Luiz é oficial da Polícia Militar, doutorando em Educação pela Puc/SP, professor universitário e colaborador na Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares.

 



Escrito por o transeunte às 18h58
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