nosso lado da calçada

 

Dificuldades no caminho

 

Amigos leitores,

 

Por uma daquelas ironias da vida, o transeunte deverá trocar de cidade a partir da próxima semana. O motivo é a participação no Curso de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de São Paulo pelos próximos três meses – até 7/12. Em princípio, havia até descartado a minha aprovação para os últimos 30 recém-formados jornalistas, mas o fato é que passei. E lá vamos nós.

 

Contudo, devido à dificuldade diária que enfrentarei na nova empreitada, não garanto que as atualizações por aqui serão rigorosamente feitas semanalmente. Já enfrentamos dificuldades no semestre passado por conta do trabalho de conclusão de curso. Agora, as coisas tendem a ser ainda mais difíceis. Mas vamos vendo onde vamos parar. Possivelmente, o blog agora deve passar a ser um relato pessoal sobre a experiência de viver na maior metrópole do País, assim como a contagem de histórias que se passem durante o curso. Espero continuar contando comm os amigos durante este tempo.

 



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 12h56
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outro sentido

 

"Sua Segurança" esconde políticas públicas

 

Deve ser do conhecimento de todos os leitores do transeunte que o jornal ZH lançou no início do ano uma campanha definindo 2007 como o ano da segurança. Para tanto, “fundou” uma nova editoria no jornal, a “Sua Segurança”. A coluna, capitaneada pelo jornalista Humberto Trezzi, serviria para colocar uma interpretação às notícias mais importantes do dia em relação à segurança pública. Serviria, porque, na realidade, o que acontece é o comentário de Trezzi sobre assaltos, roubos, furtos e demais crimes de repercussão. Quase não aborda políticas públicas para a segurança. Quase não acompanha e “agenda” a Secretaria de Segurança. Quando o faz, basta uma coluna para comentar assuntos como a Lei Seca e a cobrança pelo trabalho dos PMs nos estádios. Temas que dão pano para a manga todo dia, mas que perderam a relevância para a “Sua Segurança”.   

 

Trezzi poderia muito bem associar os resultados da pesquisa Small Arms Survey 2007, divulgada nesta semana pelo Instituto de Estudos Internacionais de Pós-Graduação, em Genebra, na pacata Suíça, às políticas que a Secretaria de Segurança tenta implantar à força no Estado. Porém, trata de comentar a pesquisa sem contextualizá-la na sua coluna do dia 29/8. Alguns dados do estudo não são exatamente novidades e corroboram com trabalhos anteriores que julgam serem as armas e a desigualdade social os aspectos mais importantes para explicar a violência no País. A Small Arms Survey afirma que existem 15,3 milhões de armas leves (de fogo) no Brasil, número que coloca os brasileiros na oitava colocação no ranking mundial.

 

Os dados mais desconcertantes – senão conhecidos, ao menos esperados – referem-se à polícia e à desigualdade social. Segundo o estudo, 80% das munições utilizadas no Brasil são oriundas das próprias forças policiais. Além disso, um importante fator de risco da violência armada no País é ser jovem (entre 15 e 29 anos), estar fora do sistema educacional e não ter emprego formal. Ou seja, se cruzarmos essas duas constatações, a que conclusão chegamos? Além de ser pobre, desempregado e sem expectativas, o jovem ainda tem que se cuidar com a violência policial. O seu Trezzi, claro, numa blindagem à sua Secretaria preferida, pergunta como provar que toda essa munição venha da polícia e como associar aumento do número de armas e da violência à desigualdade, se nos EUA as armas também aumentaram? O showrnalista está acostumado demais às teorias americanas da “vidraça quebrada” e da “tolerância zero”. Talvez ignore que, nos EUA, portar armas seja um costume nacional devido ao medo constante que sua população tem. E assim aproveita para desviar o olhar do leitor às iniciativas da Secretaria de Segurança que em nada resultarão em termos de segurança real ao cidadão.



Categoria: outro sentido
Escrito por o transeunte às 12h45
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nosso lado da calçada

 

Leituras obrigatórias

 

Mais preocupante do que o caos aéreo – segundo pesquisas, só 8% dos brasileiros costumam viajar de avião com alguma freqüência – é a questão da segurança pública. Maquiavel, lá atrás na nossa linha do tempo, já pregava que a atribuição mais importante dos governos era garanti-la. Nessa semana, a revista Carta Capital publica, em primeira mão, matéria completa sobre o novo plano de segurança nacional. A novidade é que o projeto prevê uma série de ações também no campo social, unindo duas correntes de pensamento distintas, uma de viés mais sociológico – a que prevê investimento no campo social, saúde, educação etc – e outra que vai mais para o lado da repressão. A intenção é boa. Se vai funcionar, já são outros quinhentos. Ao menos pensar um pouco além da questão da “tolerância zero” é um avanço nesses tempos de conservadorismo candente.

 

Além desta matéria, há outra, acompanhada de um artigo, sobre os abusos policiais. Depoimentos de figuras como o comandante-geral da PM do Rio, pra citar só um, dão conta de que a corrupção e a crença de impunidade permeiam o sistema policial em todo o país. Vale a pena ler o texto da irrepreensível lauda de Phydia de Athayde e um camarada de sobrenome Erthal.

 

No mais, a Caros Amigos deste mês também é uma leitura obrigatória para quem ainda acredita em jornalismo de primeira. Uma entrevista com três ex-prisioneiros de Guantánamo é a chamada de capa, mas é de imensurável outra entrevista com um delegado de polícia que trata seus presos de maneira mais humana a partir de teorias sociológicas que levam os Direitos Humanos em conta.   



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Escrito por o transeunte às 00h27
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pelas esquinas

 

Adestram-se focas

 

No último domingo (5/8), foi realizada a prova de conhecimentos gerais e redação, primeira etapa da seleção para o Curso de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de São Paulo, popular Estadão. Mais de 2.300 jornalistas recém-formados disputavam uma das 60 vagas para a segunda fase, uma entrevista individual que definirá os 30 escolhidos para o curso, entre os dias 3/9 e 7/12 deste ano. O treinamento não garante colocação no jornal, mas é uma boa oportunidade de colocar em prática os conhecimentos aprendidos na faculdade, além de uma chance para jornalistas inexperientes terem uma vivência em redação.

 

“Adestram-se focas” é o slogan do curso. Fala por si só, ao fazer referência a como os novos jornalistas são chamados pelos mais experientes –  focas. A prova, no estilo das palavras cruzadas que os jornais costumam publicar, traz 50 questões, algumas cuja relevância para um jornalista são altamente discutíveis. O endereço da Casa Branca em Washington, o nome da filha adotiva de Woody Allen com a qual ele acabou casando, entre outras, são só algumas das pérolas. Nada sobre as recentes crises de corrupção em Brasília ou, ainda, tratando do caos aéreo. Tentando a sorte – já que para esse nível de questionamentos é difícil saber como estudar – estão os candidatos a foca para o adestramento.

 

O leitor pode perguntar o que um jornalista recém-formado, mas que vive criticando a grande imprensa, estava fazendo numa prova dessas para ingressar num dos bastiões do conservadorismo tupiniquim? Respondo: tentando uma oportunidade de fazer um pouco de jornalismo, ao menos. É inegável que, mesmo não sendo exatamente de alta qualidade em comparação a alguns meios de comunicação de outros países, os jornais do centro do país brigam menos com a notícia. Nos periódicos do Rio Grande, por exemplo, a única verdade publicada em alguns dias é a data. A reflexão é de Luis Fernando Veríssimo, um intelectual de esquerda, ele mesmo colunista de jornais de direita, como ZH e O Globo. Com esforço e ousadia, ainda é possível fazer jornalismo mesmo na dita grande imprensa. Esse o desafio que se apresenta a nós, jornalistas que se julgam ainda merecedores da alcunha.      

 



Categoria: pelas esquinas
Escrito por o transeunte às 00h09
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outro sentido

 

O crime e o criminoso

 

Não faltaram apressados analistas do acidente do vôo 3054 a anunciar um culpado, o governo federal, pela tragédia. Pouco mais de três semanas se passaram e ganha corpo a tese de que a falha no Airbus 320 tenha sido causada por uma série de omissões – inclusive do governo – mas, principalmente, da TAM e até quem sabe do fabricante do avião. Não se pode descartar ainda as administrações passadas, coniventes com a empresa que mais coleciona acidentes nos últimos tempos, basta lembrar um em 1996, no mesmo aeroporto de Congonhas, vitimando passageiros, tripulação e moradores de um bairro próximo ao local da queda. A filósofa Marilena Chaui – petista de carteirinha, o leitor pode não saber, mas crítica de Lula – tem um relato bastante marcante sobre a crise que se criou após o acidente. A entrevista foi concedida ao blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim.   

 



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Escrito por o transeunte às 00h05
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nosso sentido da calçada

 

Comprometido (demais) com o atraso

 

Estava deixando pra lá, até não lendo mais o jornal. Tudo para não me exaltar. Mas agora a paciência acabou. Podem dizer que eu pego no pé. Afirmo taxativo: o “jornalismo” praticado por ZH é lamentável e deveras tendencioso, comprometido com um conservadorismo que, simplesmente, impede as pessoas de crescer, se desenvolverem, abrirem os olhos para o mundo.

 

Num domingo desses, publicaram uma matéria cujo título era mais ou menos assim: “Deserções mostram a fragilidade do regime cubano”. Falava sobre os dois pugilistas que largaram a delegação dos Jogos Pan-Americanos. Agora me diga, quem não sabe que Cuba e seu socialismo passa por dificuldades. Elas são algo inerente à situação incomum de ser um país não-alinhado e que se voltou contra o capitalismo e o imperialismo. Está implícito pensar assim.

 

Quanto às deserções em si, os esportistas foram seduzidos por propostas milionárias de empresários alemães. Dinheiro, mulheres, uma vida de nababo na Europa. Sem meio-termo, eles foram comprados, financiados pelos endinheirados cartolas. Acontece todo dia no Brasil. E não falo nem do Pato, que foi embora por uma cifra enorme, mas de outros tantos Josés, Joãos e Pedros que vão tentar a sorte na Ásia por umas migalhas, muitos retornando mesmo com uma mão na frente e outra atrás.

 

A república tupiniquim não é frágil?! É, e muito. Fragilidade alimentada por essa grande imprensa tendenciosa, quando não incapaz de mostrar a vida como ela é. Fragilidade de jornalistas submissos que se submetem aos desmandos do patrão e escrevem qualquer bobagem que lhes pedem. Garantem o emprego, um dinheirinho minguado para o sustento próprio e a desonra da profissão. Samuel Wainer dizia que “o jornalista que não fica indignado com os problemas e as mazelas da sociedade e dos governos não serve para a profissão”. Jornalista que não se levanta contra essas barbaridades escritas num jornal que só fomenta o status quo não merece sequer ser chamado como tal.

 

 

 



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Escrito por o transeunte às 00h01
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