pelas esquinas

 

O investimento dos laboratórios farmacêuticos

 

Bonito, jovem, com curso superior em fase inicial. Vinícius tem o perfil do representante de vendas dos laboratórios farmacêuticos. Como muitos outros homens e mulheres no mercado de trabalho, foi recrutado para trabalhar no EMS em Porto Alegre, aos 18 anos. Recebe agora cerca de R$ 850,00, bem mais dos que os R$ 500,00 da bolsa de estágio em Administração de Empresas de alguns meses atrás, tempo em que trabalhava no Banrisul. O garoto é só uma das pontas da engrenagem de padrões éticos discutíveis que move a indústria farmacêutica.

 

Representantes de laboratórios como ele são responsáveis por fazer insistentes abordagens aos médicos, principalmente àqueles que atendem pacientes com maior poder aquisitivo. O objetivo é basicamente o mesmo: apresentar seus produtos aos profissionais da saúde e convencê-los a prescrever os remédios àqueles que necessitem tratamento.

 

A procura é intensa e atrapalha a rotina do atendimento aos pacientes. Clara (o nome é fictício), funcionária de um consultório médico do bairro Menino Deus, foi obrigada a deixar fichas na portaria do prédio onde trabalha. Diariamente, só os primeiros quatro representantes têm permissão para falar com seu chefe, requisitado cardiologista. Ressalta que, certa vez, a competição chegou ao ponto de levar nove deles a se apresentarem ao mesmo tempo. Apesar do pouco tempo disponível, “o doutor se dispôs a atender a todos”, informa, incomodada com a quebra das normas que acaba lhe dando mais trabalho.  

 

As estratégias para obter sucesso na empreitada são muitas. Clara conta que seu chefe não precisa pagar para participar de congressos da categoria. Recentemente, o profissional teve todas as suas despesas de hospedagem para um encontro de cardiologia em Gramado custeadas por um dos laboratórios parceiros. As diárias da mulher e dos dois filhos do casal estavam incluídas no pacote. “O hotel tinha tudo, até ofurô com hidromassagem”, afirma a funcionária, referindo-se à banheira oferecida pelo requintado Serrano. No local, costumam se hospedar atores e diretores globais durante o tradicional festival de cinema da cidade. Não é raro para o médico, receber ofertas de jantares também. “Ossos” do ofício.

 

Nem sempre a propaganda e as facilidades colam. O cardiologista só receita medicamentos dos laboratórios em que confia. Por vezes, chega a listá-los para os pacientes. Alguns não contam com o aval do médico. Baixa qualidade. Segundo Clara, os representantes desses  laboratórios freqüentam o consultório e deixam amostras grátis dos seus produtos pela mais singela obrigação. O doutor não os indica e eles sabem. Possuem pesquisas feitas diretamente com os profissionais, pelas quais também oferecem “ajudas de custo”. Muitas de valor ainda mais alto do que o cobrado pelas consultas.

 

segue

 

 



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Escrito por o transeunte às 15h54
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Com a receita na mão, a vítima

 

Munido da indicação no papel, o paciente se dirige à farmácia e compra o produto receitado. Desavisado, nem sempre leva o mais barato ou de melhor qualidade. Se o balconista tiver algum acordo com um laboratório, então, pode esquecer. Esta é outra estratégia dos representantes: atuar nas pontas, direto com os vendedores, nas drogarias. Comissões e amostras grátis, entre outros acordos de “cavalheiros”.  

 

O consumidor, como sempre, é o último a saber, se chegar a ter esse privilégio. Dependendo da doença e da quantidade de medicamentos receitada, os prejuízos tendem a ser bastante expressivos. Os idosos costumam sofrer mais, por precisarem de vários remédios, muitos destes com altos preços.

 

Mas pacientes de todos os tipos, principalmente os pouco acostumados a freqüentar farmácias, podem acabar saindo no prejuízo na hora de tratar alguma enfermidade. No caso de gripes mais fortes, acompanhadas de tosse e inflamação da garganta, um dos medicamentos mais utilizados é o antibiótico Azitromicina. Na mesma farmácia é possível perceber diferenças. Na Panvel, a embalagem com três comprimidos de 500 mg do laboratório EMS chegava a custar R$ 41,07, enquanto preço do mesmo produto, da Sandoz do Brasil, era de R$ 29,30, no dia 23/7. Se o consumidor resolvesse pesquisar mais atentamente, perceberia que em outra drogaria o custo era ainda menor. Na Johnson, farmácia da zona sul de Porto Alegre, o mesmo medicamento sai por R$ 16,40.

 

Muito mais que simples detalhes. Os preços e as maracutaias para fazerem o paciente comprar os produtos estão nos bastidores, bem longe dos olhos do consumidor.

 

 



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Escrito por o transeunte às 15h48
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nosso lado da calçada

 

À queima-roupa

 

A notícia de que a maioria, ou ao menos boa parte – os números não são definitivos nem muito claros – dos mortos na batalha entre polícia e tráfico no complexo de favelas do Alemão foram alvejados pelas costas e à queima-roupa não é grande novidade para uma polícia que vive abusando do poder que tem.

 

Agora o Estadão de 17/7 informa que, no Rio do governador Cabral, 652 pessoas morreram em supostos confrontos entre os meses de janeiro e junho. Aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, 132 mortes a mais. Por outro lado, no mesmo espaço de tempo, foram presas 2.132 pessoas a menos em flagrante, assim como também diminui o número de policiais mortos, de 16 para 11.

 

A história se repete desde os anos 70, pelo menos. Caco Barcellos, no livro Rota 66, já contava como as Rondas Ostensivas de São Paulo matavam inocentes por simples prazer. Continua acontecendo. A classe média fica calada porque de nada lhe interessa. Os pobres calam de medo. E assim vai se perpetuando a lógica que reprime, mata e permanece impune. Essa é a verdadeira impunidade, meus caros.

 

 



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Escrito por o transeunte às 23h18
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nosso lado da calçada

 

O status quo universitário

 

Causa-me imenso pesar verificar que, num domingo ensolarado de inverno, há pessoas que se reúnem no Parque da Redenção, em Porto Alegre, para protestar contra a implementação de cotas raciais para ingresso de estudantes por parte da UFRGS. Todos jovens e brancos. Faixas negras. Dizem que as escolas públicas deveriam oferecer condições iguais de competição. Por que não se manifestar a favor de um ensino médio de qualidade para todos, então?

 

 



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Escrito por o transeunte às 23h16
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nosso lado da calçada

 

Caos aéreo

 

Existiria momento mais inadequado para o governo Lula do que este de caos aéreo para acontecer o maior acidente da história da aviação brasileira? Provavelmente, não. A situação para o presidente ainda é pior porque, na tragédia, morreu um deputado federal do maior partido oposicionista, o PSDB. Haja fôlego para sair desta crise. A mídia, que já não costuma poupar o ex-metalúrgico, agora está de punho em riste, pronta para atacá-lo quantas e quantas vezes mais puder.

 

Antes de apuradas as causas concretas do acidente – Isso acontecerá algum dia? As investigações do avião da Gol, que caiu em novembro, não são muito conclusivas, só para lembrar – é difícil acusar quem seja com tanta veemência (li nos jornais, já mais de uma vez, que o que aconteceu era um crime). No entanto, sinais bem claros de negligência ou, no mínimo, omissão habitam a nave mãe da terra brasilis.

 

Quem ainda duvida, basta ler a revista Carta Capital desta semana. O passo atrás em favor das emissoras de TV brasileiras em relação à classificação indicativa (ler post de 17/5) é só mais uma mostra dos tantos casos em que o governo baixou a cabeça ao poder alheio.

 

Toma-me a memória, no entanto, um dos maiores acidentes aéreos do Brasil antes desses dois últimos da Gol e da Tam. Um Fokker 100 da Transportes Aéreos Marília cai, logo após a decolagem de Congonhas. Morrem 99 pessoas, entre elas muitos moradores das casas no entorno do aeroporto paulistano. Já havia zona urbana em volta do maior centro de transporte de passageiros aéreos do país. Como se vê, negligência está no DNA dos administradores públicos do Brasil. Não é de hoje.

 

  

 



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Escrito por o transeunte às 23h09
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