nosso lado da calçada

Tomando pau da grande imprensa

Duas semanas e meia de curso de jornalismo aplicado do Estadão já se passaram e o primeiro resultado está claro. A qualidade dos meus escritos está abaixo do esperado, para não dizer coisa pior. Até aqui me aventurei em três textos: uma descrição do prédio do jornal, uma reportagem sobre uma exposição de arte sacra numa estação do metrô e uma matéria sobre a entrevista coletiva que o cancerologista André Perdicaris concedeu ontem ao pessoal do curso. Os primeiros dois textos foram devidamente criticados pelos avaliadores. Um "bom" foi o melhor comentário. Referia-se à matéria da exposição no metrô. A entrevista do médico ainda não foi avaliada, mas promete também não impressionar o eleitorado.

Os motivos para a baixa qualidade da produção não devem passar longe do cansaço, da pressão e da dificuldade de adaptação. Nenhum dos três é uma razão forte o bastante, mas conjugados têm efeitos devastadores. Dificultam a apuração, baixam a confiança, aumentam a pressão. Definitivamente, há um longo caminho pela frente. O ponto positivo é que mantenho a insatisfação com o resultado do trabalho até aqui. Resta transpirar bastante quando a inspiração não vem. Enquanto isso, o pau canta pro meu lado.



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 16h43
[] [envie esta mensagem] []



 

nosso lado da calçada

 

Dificuldades no caminho

 

Amigos leitores,

 

Por uma daquelas ironias da vida, o transeunte deverá trocar de cidade a partir da próxima semana. O motivo é a participação no Curso de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de São Paulo pelos próximos três meses – até 7/12. Em princípio, havia até descartado a minha aprovação para os últimos 30 recém-formados jornalistas, mas o fato é que passei. E lá vamos nós.

 

Contudo, devido à dificuldade diária que enfrentarei na nova empreitada, não garanto que as atualizações por aqui serão rigorosamente feitas semanalmente. Já enfrentamos dificuldades no semestre passado por conta do trabalho de conclusão de curso. Agora, as coisas tendem a ser ainda mais difíceis. Mas vamos vendo onde vamos parar. Possivelmente, o blog agora deve passar a ser um relato pessoal sobre a experiência de viver na maior metrópole do País, assim como a contagem de histórias que se passem durante o curso. Espero continuar contando comm os amigos durante este tempo.

 



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 12h56
[] [envie esta mensagem] []



 

outro sentido

 

"Sua Segurança" esconde políticas públicas

 

Deve ser do conhecimento de todos os leitores do transeunte que o jornal ZH lançou no início do ano uma campanha definindo 2007 como o ano da segurança. Para tanto, “fundou” uma nova editoria no jornal, a “Sua Segurança”. A coluna, capitaneada pelo jornalista Humberto Trezzi, serviria para colocar uma interpretação às notícias mais importantes do dia em relação à segurança pública. Serviria, porque, na realidade, o que acontece é o comentário de Trezzi sobre assaltos, roubos, furtos e demais crimes de repercussão. Quase não aborda políticas públicas para a segurança. Quase não acompanha e “agenda” a Secretaria de Segurança. Quando o faz, basta uma coluna para comentar assuntos como a Lei Seca e a cobrança pelo trabalho dos PMs nos estádios. Temas que dão pano para a manga todo dia, mas que perderam a relevância para a “Sua Segurança”.   

 

Trezzi poderia muito bem associar os resultados da pesquisa Small Arms Survey 2007, divulgada nesta semana pelo Instituto de Estudos Internacionais de Pós-Graduação, em Genebra, na pacata Suíça, às políticas que a Secretaria de Segurança tenta implantar à força no Estado. Porém, trata de comentar a pesquisa sem contextualizá-la na sua coluna do dia 29/8. Alguns dados do estudo não são exatamente novidades e corroboram com trabalhos anteriores que julgam serem as armas e a desigualdade social os aspectos mais importantes para explicar a violência no País. A Small Arms Survey afirma que existem 15,3 milhões de armas leves (de fogo) no Brasil, número que coloca os brasileiros na oitava colocação no ranking mundial.

 

Os dados mais desconcertantes – senão conhecidos, ao menos esperados – referem-se à polícia e à desigualdade social. Segundo o estudo, 80% das munições utilizadas no Brasil são oriundas das próprias forças policiais. Além disso, um importante fator de risco da violência armada no País é ser jovem (entre 15 e 29 anos), estar fora do sistema educacional e não ter emprego formal. Ou seja, se cruzarmos essas duas constatações, a que conclusão chegamos? Além de ser pobre, desempregado e sem expectativas, o jovem ainda tem que se cuidar com a violência policial. O seu Trezzi, claro, numa blindagem à sua Secretaria preferida, pergunta como provar que toda essa munição venha da polícia e como associar aumento do número de armas e da violência à desigualdade, se nos EUA as armas também aumentaram? O showrnalista está acostumado demais às teorias americanas da “vidraça quebrada” e da “tolerância zero”. Talvez ignore que, nos EUA, portar armas seja um costume nacional devido ao medo constante que sua população tem. E assim aproveita para desviar o olhar do leitor às iniciativas da Secretaria de Segurança que em nada resultarão em termos de segurança real ao cidadão.



Categoria: outro sentido
Escrito por o transeunte às 12h45
[] [envie esta mensagem] []



 

nosso lado da calçada

 

Leituras obrigatórias

 

Mais preocupante do que o caos aéreo – segundo pesquisas, só 8% dos brasileiros costumam viajar de avião com alguma freqüência – é a questão da segurança pública. Maquiavel, lá atrás na nossa linha do tempo, já pregava que a atribuição mais importante dos governos era garanti-la. Nessa semana, a revista Carta Capital publica, em primeira mão, matéria completa sobre o novo plano de segurança nacional. A novidade é que o projeto prevê uma série de ações também no campo social, unindo duas correntes de pensamento distintas, uma de viés mais sociológico – a que prevê investimento no campo social, saúde, educação etc – e outra que vai mais para o lado da repressão. A intenção é boa. Se vai funcionar, já são outros quinhentos. Ao menos pensar um pouco além da questão da “tolerância zero” é um avanço nesses tempos de conservadorismo candente.

 

Além desta matéria, há outra, acompanhada de um artigo, sobre os abusos policiais. Depoimentos de figuras como o comandante-geral da PM do Rio, pra citar só um, dão conta de que a corrupção e a crença de impunidade permeiam o sistema policial em todo o país. Vale a pena ler o texto da irrepreensível lauda de Phydia de Athayde e um camarada de sobrenome Erthal.

 

No mais, a Caros Amigos deste mês também é uma leitura obrigatória para quem ainda acredita em jornalismo de primeira. Uma entrevista com três ex-prisioneiros de Guantánamo é a chamada de capa, mas é de imensurável outra entrevista com um delegado de polícia que trata seus presos de maneira mais humana a partir de teorias sociológicas que levam os Direitos Humanos em conta.   



Categoria: outro sentido
Escrito por o transeunte às 00h27
[] [envie esta mensagem] []



 

pelas esquinas

 

Adestram-se focas

 

No último domingo (5/8), foi realizada a prova de conhecimentos gerais e redação, primeira etapa da seleção para o Curso de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de São Paulo, popular Estadão. Mais de 2.300 jornalistas recém-formados disputavam uma das 60 vagas para a segunda fase, uma entrevista individual que definirá os 30 escolhidos para o curso, entre os dias 3/9 e 7/12 deste ano. O treinamento não garante colocação no jornal, mas é uma boa oportunidade de colocar em prática os conhecimentos aprendidos na faculdade, além de uma chance para jornalistas inexperientes terem uma vivência em redação.

 

“Adestram-se focas” é o slogan do curso. Fala por si só, ao fazer referência a como os novos jornalistas são chamados pelos mais experientes –  focas. A prova, no estilo das palavras cruzadas que os jornais costumam publicar, traz 50 questões, algumas cuja relevância para um jornalista são altamente discutíveis. O endereço da Casa Branca em Washington, o nome da filha adotiva de Woody Allen com a qual ele acabou casando, entre outras, são só algumas das pérolas. Nada sobre as recentes crises de corrupção em Brasília ou, ainda, tratando do caos aéreo. Tentando a sorte – já que para esse nível de questionamentos é difícil saber como estudar – estão os candidatos a foca para o adestramento.

 

O leitor pode perguntar o que um jornalista recém-formado, mas que vive criticando a grande imprensa, estava fazendo numa prova dessas para ingressar num dos bastiões do conservadorismo tupiniquim? Respondo: tentando uma oportunidade de fazer um pouco de jornalismo, ao menos. É inegável que, mesmo não sendo exatamente de alta qualidade em comparação a alguns meios de comunicação de outros países, os jornais do centro do país brigam menos com a notícia. Nos periódicos do Rio Grande, por exemplo, a única verdade publicada em alguns dias é a data. A reflexão é de Luis Fernando Veríssimo, um intelectual de esquerda, ele mesmo colunista de jornais de direita, como ZH e O Globo. Com esforço e ousadia, ainda é possível fazer jornalismo mesmo na dita grande imprensa. Esse o desafio que se apresenta a nós, jornalistas que se julgam ainda merecedores da alcunha.      

 



Categoria: pelas esquinas
Escrito por o transeunte às 00h09
[] [envie esta mensagem] []



 

outro sentido

 

O crime e o criminoso

 

Não faltaram apressados analistas do acidente do vôo 3054 a anunciar um culpado, o governo federal, pela tragédia. Pouco mais de três semanas se passaram e ganha corpo a tese de que a falha no Airbus 320 tenha sido causada por uma série de omissões – inclusive do governo – mas, principalmente, da TAM e até quem sabe do fabricante do avião. Não se pode descartar ainda as administrações passadas, coniventes com a empresa que mais coleciona acidentes nos últimos tempos, basta lembrar um em 1996, no mesmo aeroporto de Congonhas, vitimando passageiros, tripulação e moradores de um bairro próximo ao local da queda. A filósofa Marilena Chaui – petista de carteirinha, o leitor pode não saber, mas crítica de Lula – tem um relato bastante marcante sobre a crise que se criou após o acidente. A entrevista foi concedida ao blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim.   

 



Categoria: outro sentido
Escrito por o transeunte às 00h05
[] [envie esta mensagem] []



 

nosso sentido da calçada

 

Comprometido (demais) com o atraso

 

Estava deixando pra lá, até não lendo mais o jornal. Tudo para não me exaltar. Mas agora a paciência acabou. Podem dizer que eu pego no pé. Afirmo taxativo: o “jornalismo” praticado por ZH é lamentável e deveras tendencioso, comprometido com um conservadorismo que, simplesmente, impede as pessoas de crescer, se desenvolverem, abrirem os olhos para o mundo.

 

Num domingo desses, publicaram uma matéria cujo título era mais ou menos assim: “Deserções mostram a fragilidade do regime cubano”. Falava sobre os dois pugilistas que largaram a delegação dos Jogos Pan-Americanos. Agora me diga, quem não sabe que Cuba e seu socialismo passa por dificuldades. Elas são algo inerente à situação incomum de ser um país não-alinhado e que se voltou contra o capitalismo e o imperialismo. Está implícito pensar assim.

 

Quanto às deserções em si, os esportistas foram seduzidos por propostas milionárias de empresários alemães. Dinheiro, mulheres, uma vida de nababo na Europa. Sem meio-termo, eles foram comprados, financiados pelos endinheirados cartolas. Acontece todo dia no Brasil. E não falo nem do Pato, que foi embora por uma cifra enorme, mas de outros tantos Josés, Joãos e Pedros que vão tentar a sorte na Ásia por umas migalhas, muitos retornando mesmo com uma mão na frente e outra atrás.

 

A república tupiniquim não é frágil?! É, e muito. Fragilidade alimentada por essa grande imprensa tendenciosa, quando não incapaz de mostrar a vida como ela é. Fragilidade de jornalistas submissos que se submetem aos desmandos do patrão e escrevem qualquer bobagem que lhes pedem. Garantem o emprego, um dinheirinho minguado para o sustento próprio e a desonra da profissão. Samuel Wainer dizia que “o jornalista que não fica indignado com os problemas e as mazelas da sociedade e dos governos não serve para a profissão”. Jornalista que não se levanta contra essas barbaridades escritas num jornal que só fomenta o status quo não merece sequer ser chamado como tal.

 

 

 



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 00h01
[] [envie esta mensagem] []



 

pelas esquinas

 

O investimento dos laboratórios farmacêuticos

 

Bonito, jovem, com curso superior em fase inicial. Vinícius tem o perfil do representante de vendas dos laboratórios farmacêuticos. Como muitos outros homens e mulheres no mercado de trabalho, foi recrutado para trabalhar no EMS em Porto Alegre, aos 18 anos. Recebe agora cerca de R$ 850,00, bem mais dos que os R$ 500,00 da bolsa de estágio em Administração de Empresas de alguns meses atrás, tempo em que trabalhava no Banrisul. O garoto é só uma das pontas da engrenagem de padrões éticos discutíveis que move a indústria farmacêutica.

 

Representantes de laboratórios como ele são responsáveis por fazer insistentes abordagens aos médicos, principalmente àqueles que atendem pacientes com maior poder aquisitivo. O objetivo é basicamente o mesmo: apresentar seus produtos aos profissionais da saúde e convencê-los a prescrever os remédios àqueles que necessitem tratamento.

 

A procura é intensa e atrapalha a rotina do atendimento aos pacientes. Clara (o nome é fictício), funcionária de um consultório médico do bairro Menino Deus, foi obrigada a deixar fichas na portaria do prédio onde trabalha. Diariamente, só os primeiros quatro representantes têm permissão para falar com seu chefe, requisitado cardiologista. Ressalta que, certa vez, a competição chegou ao ponto de levar nove deles a se apresentarem ao mesmo tempo. Apesar do pouco tempo disponível, “o doutor se dispôs a atender a todos”, informa, incomodada com a quebra das normas que acaba lhe dando mais trabalho.  

 

As estratégias para obter sucesso na empreitada são muitas. Clara conta que seu chefe não precisa pagar para participar de congressos da categoria. Recentemente, o profissional teve todas as suas despesas de hospedagem para um encontro de cardiologia em Gramado custeadas por um dos laboratórios parceiros. As diárias da mulher e dos dois filhos do casal estavam incluídas no pacote. “O hotel tinha tudo, até ofurô com hidromassagem”, afirma a funcionária, referindo-se à banheira oferecida pelo requintado Serrano. No local, costumam se hospedar atores e diretores globais durante o tradicional festival de cinema da cidade. Não é raro para o médico, receber ofertas de jantares também. “Ossos” do ofício.

 

Nem sempre a propaganda e as facilidades colam. O cardiologista só receita medicamentos dos laboratórios em que confia. Por vezes, chega a listá-los para os pacientes. Alguns não contam com o aval do médico. Baixa qualidade. Segundo Clara, os representantes desses  laboratórios freqüentam o consultório e deixam amostras grátis dos seus produtos pela mais singela obrigação. O doutor não os indica e eles sabem. Possuem pesquisas feitas diretamente com os profissionais, pelas quais também oferecem “ajudas de custo”. Muitas de valor ainda mais alto do que o cobrado pelas consultas.

 

segue

 

 



Categoria: pelas esquinas
Escrito por o transeunte às 15h54
[] [envie esta mensagem] []



 

Com a receita na mão, a vítima

 

Munido da indicação no papel, o paciente se dirige à farmácia e compra o produto receitado. Desavisado, nem sempre leva o mais barato ou de melhor qualidade. Se o balconista tiver algum acordo com um laboratório, então, pode esquecer. Esta é outra estratégia dos representantes: atuar nas pontas, direto com os vendedores, nas drogarias. Comissões e amostras grátis, entre outros acordos de “cavalheiros”.  

 

O consumidor, como sempre, é o último a saber, se chegar a ter esse privilégio. Dependendo da doença e da quantidade de medicamentos receitada, os prejuízos tendem a ser bastante expressivos. Os idosos costumam sofrer mais, por precisarem de vários remédios, muitos destes com altos preços.

 

Mas pacientes de todos os tipos, principalmente os pouco acostumados a freqüentar farmácias, podem acabar saindo no prejuízo na hora de tratar alguma enfermidade. No caso de gripes mais fortes, acompanhadas de tosse e inflamação da garganta, um dos medicamentos mais utilizados é o antibiótico Azitromicina. Na mesma farmácia é possível perceber diferenças. Na Panvel, a embalagem com três comprimidos de 500 mg do laboratório EMS chegava a custar R$ 41,07, enquanto preço do mesmo produto, da Sandoz do Brasil, era de R$ 29,30, no dia 23/7. Se o consumidor resolvesse pesquisar mais atentamente, perceberia que em outra drogaria o custo era ainda menor. Na Johnson, farmácia da zona sul de Porto Alegre, o mesmo medicamento sai por R$ 16,40.

 

Muito mais que simples detalhes. Os preços e as maracutaias para fazerem o paciente comprar os produtos estão nos bastidores, bem longe dos olhos do consumidor.

 

 



Categoria: pelas esquinas
Escrito por o transeunte às 15h48
[] [envie esta mensagem] []



 

nosso lado da calçada

 

À queima-roupa

 

A notícia de que a maioria, ou ao menos boa parte – os números não são definitivos nem muito claros – dos mortos na batalha entre polícia e tráfico no complexo de favelas do Alemão foram alvejados pelas costas e à queima-roupa não é grande novidade para uma polícia que vive abusando do poder que tem.

 

Agora o Estadão de 17/7 informa que, no Rio do governador Cabral, 652 pessoas morreram em supostos confrontos entre os meses de janeiro e junho. Aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, 132 mortes a mais. Por outro lado, no mesmo espaço de tempo, foram presas 2.132 pessoas a menos em flagrante, assim como também diminui o número de policiais mortos, de 16 para 11.

 

A história se repete desde os anos 70, pelo menos. Caco Barcellos, no livro Rota 66, já contava como as Rondas Ostensivas de São Paulo matavam inocentes por simples prazer. Continua acontecendo. A classe média fica calada porque de nada lhe interessa. Os pobres calam de medo. E assim vai se perpetuando a lógica que reprime, mata e permanece impune. Essa é a verdadeira impunidade, meus caros.

 

 



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 23h18
[] [envie esta mensagem] []



 

nosso lado da calçada

 

O status quo universitário

 

Causa-me imenso pesar verificar que, num domingo ensolarado de inverno, há pessoas que se reúnem no Parque da Redenção, em Porto Alegre, para protestar contra a implementação de cotas raciais para ingresso de estudantes por parte da UFRGS. Todos jovens e brancos. Faixas negras. Dizem que as escolas públicas deveriam oferecer condições iguais de competição. Por que não se manifestar a favor de um ensino médio de qualidade para todos, então?

 

 



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 23h16
[] [envie esta mensagem] []



 

nosso lado da calçada

 

Caos aéreo

 

Existiria momento mais inadequado para o governo Lula do que este de caos aéreo para acontecer o maior acidente da história da aviação brasileira? Provavelmente, não. A situação para o presidente ainda é pior porque, na tragédia, morreu um deputado federal do maior partido oposicionista, o PSDB. Haja fôlego para sair desta crise. A mídia, que já não costuma poupar o ex-metalúrgico, agora está de punho em riste, pronta para atacá-lo quantas e quantas vezes mais puder.

 

Antes de apuradas as causas concretas do acidente – Isso acontecerá algum dia? As investigações do avião da Gol, que caiu em novembro, não são muito conclusivas, só para lembrar – é difícil acusar quem seja com tanta veemência (li nos jornais, já mais de uma vez, que o que aconteceu era um crime). No entanto, sinais bem claros de negligência ou, no mínimo, omissão habitam a nave mãe da terra brasilis.

 

Quem ainda duvida, basta ler a revista Carta Capital desta semana. O passo atrás em favor das emissoras de TV brasileiras em relação à classificação indicativa (ler post de 17/5) é só mais uma mostra dos tantos casos em que o governo baixou a cabeça ao poder alheio.

 

Toma-me a memória, no entanto, um dos maiores acidentes aéreos do Brasil antes desses dois últimos da Gol e da Tam. Um Fokker 100 da Transportes Aéreos Marília cai, logo após a decolagem de Congonhas. Morrem 99 pessoas, entre elas muitos moradores das casas no entorno do aeroporto paulistano. Já havia zona urbana em volta do maior centro de transporte de passageiros aéreos do país. Como se vê, negligência está no DNA dos administradores públicos do Brasil. Não é de hoje.

 

  

 



Categoria: nosso lado da calçada
Escrito por o transeunte às 23h09
[] [envie esta mensagem] []



 

outro sentido

 

Reflexões sobre a invasão da USP

 

Uma matéria que leva a reflexão do papel do movimento estudantil na invasão da reitoria da Universidade de São Paulo, mostrando simpatia com a mobilização, mas também sem deixar de criticar algumas características do movimento. Invasão na USP revela um desejo paradoxal por ordem, da Folha de São Paulo do último domingo (24/6), é o texto a que estamos nos referindo.

 

Dois sociólogos e um filósofo que mantiveram contato constante com os alunos que ocuparam a reitoria da Universidade foram entrevistados pelo jornal para refletir sobre a crise. A conclusão mais surpreendente é que a revolta, tomada como revolucionária pelo movimento estudantil, tem objetivos conservadores, tal qual restabelecer a ordem dentro da instituição.

 

Algo, no mínimo, para se pensar sobre o movimento estudantil. Pode servir até como exercício de autocrítica para seus integrantes. Eles estão se acostumando à lógica acadêmica? De se refletir. O que fica, no entanto, é que um longo período de apatia quase completa foi ultrapassado.

 

 A seguir, alguns trechos da reportagem.

 

“O que já se sabe é que nasce com o mérito de romper um hiato de apatia e desmobilização, mas marcado por um paradoxo: o movimento que se pretende revolucionário e desafia a ordem legal é o mesmo que luta por pautas conservadoras e para restabelecer a ordem.”

 

“A surpresa foi que ainda existe gás para reagir”, diz Laymert Garcia dos Santos, professor de sociologia da Unicamp.

 

“A ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a política tradicional não tem mais capacidade de processar os conflitos sociais. É essa incapacidade que eu venho chamando de irrelevância da política”, afirma Francisco de Oliveira, economista e sociólogo, professor aposentado da Universidade de São Paulo.

 

“Simplesmente estamos nos dando conta de que política pode ser outra coisa. Um pontapé na porta rompeu uma rotina de decretos, de apatia. E fez com que um governo prepotente revogasse os decretos”, ressalta Paulo Arantes

  

 



Categoria: outro sentido
Escrito por o transeunte às 12h09
[] [envie esta mensagem] []



 

pelas esquinas

 

A discussão das cotas nas universidades

 

Há cerca de duas semanas, ao invadir a Reitoria da UFRGS, os estudantes universitários propuseram que fosse adotado o sistema de cotas raciais na Universidade. De lá pra cá, o debate vem ficando cada vez mais acalorado. Até o final do mês, tanto a Federal do RS quanto à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) devem decidir se implantam a reserva de vagas já no próximo vestibular.

 

Se aprovado, o sistema garantirá que negros e estudantes vindos de escolas públicas tenham espaço garantido, na UFRGS, enquanto estudantes com necessidades especiais e índios poderão se beneficiar da reserva, na UFSM.

 



Categoria: pelas esquinas
Escrito por o transeunte às 13h17
[] [envie esta mensagem] []



 

outro sentido

 

A opinião de quem conhece a Universidade

 

O senador Cristovam Buarque, em entrevista à revista Sextante (laboratório dos alunos de Jornalismo da UFRGS) do final do ano passado, manifestou a sua opinião sobre a diferença do desempenho escolar de brancos e negros nas escolas. “Os negros têm tanta genialidade quanto qualquer outra raça. Agora, no Brasil, o negro é pobre. O pobre não tem escola. Não tendo escola, não tem educação. Aí, terminam os negros tendo menos desempenho que os brancos, mas porque os brancos têm dinheiro e pagam escolas boas.” Essa diferença é que costuma favorecer os brancos no ingresso à Universidade pública.

 

Wladymir Ungaretti, professor de Jornalismo da UFRGS, afirma que, em 15 anos de Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), teve em sala de aula, no máximo, 10 pessoas negras. “Negro em sala de aula é de convênio com países africanos. Será que ninguém - desta parcela da população - gostaria de ser showrnalista e ingressar em um cursinho técnico de comunicologia? Os negros, quando conseguem ingressar, acabam se tornando JORNALISTAS. Muito raramente perdem a noção de origem. Todos com quem tive a oportunidade de conviver eram grandes profissionais. Gente de raça." 

 

 

Cristovam, ex-reitor da UNB é favorável ao sistema de cotas. Segundo ele, esta é uma maneira – longe de ser suficiente – de tentar resolver uma injustiça histórica contra negros e índios. No entanto, o último candidato do PDT à Presidência da República é taxativo quanto a essa ser uma solução para o problema educacional brasileiro. “As cotas para negros e índios nada têm a ver com a “apartação”, o “apartheid social”. Têm a ver com o absurdo de, 120 anos depois da abolição da escravatura, a elite brasileira ser quase toda branca. A apartação social será eliminada com 100% dos jovens terminando o ensino médio com qualidade, e não com mais vagas nas universidades para os poucos, cerca de 18%, que terminam o ensino médio com qualidade”. As cotas são um paliativo, mas há um longo caminho a se percorrer para tornar nossa sociedade igualitária.

 



Categoria: outro sentido
Escrito por o transeunte às 13h10
[] [envie esta mensagem] []



[ ver mensagens anteriores ]


Histórico
Categorias
Todas as mensagens
Citação
pelas esquinas
outro sentido
nosso lado da calçada
pergunta que não quer calar


Outros sites
alça de mira
a vida mata a pau
blog do mino
blog do natusch
carta na manga
celeuma
comunidade no orkut
idoso
impedimento
o diluvio
palegre
ponto de vista



Locations of visitors to this page